Apostila · Estatística, volume II de IV

Inferência:
da amostra
ao mundo

Mediu 340 pessoas e quer dizer alguma coisa sobre um milhão. Toda a estatística inferencial existe para tornar esse salto defensável — e para dizer quão longe ele pode ir. Este volume trata do que a maquinaria mede, do que ela não mede, e das cinco leituras erradas que tornam o número mais reportado da ciência aplicada também o mais mal compreendido.

12 capítulosda variação amostral ao pré-registo
1 demo ao vivode um «p = 0,03» desmontado
12 exercíciospara fazer nos estudos que já correu

↓ role para começar

Capítulo 01 Fundamento

O salto que a inferência tenta dar

Mediu 340 pessoas e quer dizer alguma coisa sobre um milhão. Toda a estatística inferencial existe para tornar esse salto defensável — e para dizer quão longe ele pode ir.

1.1 O que se tem e o que se quer

O que temO que quer saber
A conversão das 12 400 sessões desta semana: 3,4%A conversão verdadeira do produto, da qual esta semana é uma manifestação
340 pessoas responderam ao inquéritoO que pensam os 48 000 clientes
O grupo B converteu mais que o A neste testeSe B é mesmo melhor, ou se calhou assim

A coluna da esquerda é um facto: mediu, é aquilo. A coluna da direita é uma quantidade que não se observa e sobre a qual se quer afirmar algo. A inferência é a disciplina desse salto, e a primeira coisa que ensina é que o salto tem sempre um custo — nunca se chega à outra margem com certeza, só com uma incerteza quantificada.

1.2 As duas fontes de erro, e só uma delas tem fórmula

Erro de amostragem

A amostra é uma entre muitas possíveis; outra teria dado outro número. É aleatório, diminui com mais dados, e é isto que a estatística mede. É o assunto dos capítulos 2 a 4.

Erro sistemático

A amostra não representa aquilo sobre que quer falar: recrutou os entusiastas, os que desistiram não responderam, o instrumento mede outra coisa. Não diminui com mais dados — mil respostas enviesadas são um enviesamento mais preciso.

A assimetria que domina a prática

Toda a maquinaria deste volume — erro-padrão, intervalos, valores-p — trata apenas do primeiro. E na maioria dos estudos reais o segundo é maior. Um intervalo de confiança estreito calculado sobre uma amostra enviesada é uma afirmação precisa sobre a coisa errada, e a precisão torna-a mais convincente, não menos.

Por isso o capítulo 11 do volume I — como os dados chegaram até si — vem antes de tudo isto, e não depois.

1.3 A pergunta que a inferência responde de facto

É mais estreita do que parece, e vale a pena tê-la à letra:

A pergunta

"Se eu repetisse esta recolha muitas vezes, quanto variaria o meu resultado só por acaso?"

Repare no que não é: não é "qual é a verdade", não é "esta conclusão está certa", não é "vale a pena agir". É uma pergunta sobre a variabilidade do procedimento, e todas as ferramentas deste volume são respostas a ela em roupagens diferentes.

1.4 Onde este volume se situa

Delimitação e ordem

Volume II de quatro. O volume I tratou de descrever honestamente; este trata do salto da amostra para o mundo. O III trata de modelos e o IV de causalidade.

Para a aplicação prática em testes A/B, com a plataforma e as ferramentas, veja Experimentação & A/B Testing — este volume dá-lhe o porquê por trás dos números que essa apostila usa. Para probabilidade como grau de crença e atualização de opinião, Previsão Calibrada e Decisão sob Incerteza — é uma tradição diferente da deste volume, e as duas convivem.

Exercício 1.1 — Separe as duas fontes

Pegue numa conclusão recente da sua equipa. Escreva, em duas colunas, o que nela é erro de amostragem e o que é erro sistemático. Depois pergunte: mais dados resolvem alguma das duas colunas?

Capítulo 02 Núcleo

Variação amostral: a ideia de que tudo depende

Se compreender bem um conceito neste volume, que seja este. Todos os outros são consequências dele.

2.1 A experiência mental que resolve tudo

Imagine que a conversão verdadeira do seu produto é exatamente 3,0%, e que nada muda durante um ano. Todas as semanas mede 12 400 sessões. Que números vai ver?

Não vai ver 3,0% todas as semanas. Vai ver 3,1%, 2,8%, 3,3%, 2,9%, 3,0%, 3,2%… — a oscilar em torno de 3,0% sem que nada tenha mudado. Essa oscilação tem um nome, variação amostral, e tem uma propriedade decisiva: é previsível.

A reformulação que muda tudo

A pergunta deixa de ser "3,3% é diferente de 3,0%?" — que é trivialmente sim — e passa a ser "3,3% está dentro do que aparece quando a verdade é 3,0%?". Se estiver, a diferença não é informação sobre o mundo: é informação sobre o tamanho da amostra.

É a mesma ideia que o volume I aplicava a olho, olhando para a amplitude histórica. Aqui passa a ter fórmula, o que permite responder antes de ter um ano de histórico.

2.2 A distribuição amostral

Se juntasse todas essas medições semanais num histograma, obteria uma distribuição — não dos dados, mas das estimativas. É a distribuição amostral, e é o objeto central da inferência.

ObjetoÉ a distribuição de…Exemplo
Distribuição dos dadosObservações individuaisCada sessão converteu ou não
Distribuição amostralUma estatística calculada sobre amostras repetidasA taxa de conversão semanal, semana após semana

São coisas muito diferentes, e confundi-las é a origem de metade dos erros. A distribuição dos dados pode ser feíssima — assimétrica, com caudas, com duas corcundas. A distribuição amostral da média tende a ser um sino simétrico mesmo assim, desde que a amostra seja suficientemente grande.

O teorema do limite central, dito com precisão

É esta a afirmação, e é mais estreita do que a versão popular: a distribuição das médias amostrais aproxima-se de uma normal à medida que n cresce, quase independentemente da forma dos dados.

Não diz que os dados são normais (raramente são). Diz que o procedimento de calcular médias produz um resultado bem-comportado. É esta separação que permite fazer inferência sobre salários, tempos de resposta e receitas — todos horrivelmente assimétricos — com ferramentas construídas para o sino.

E tem um limite prático: quanto mais assimétricos os dados, maior o n necessário. Com caudas muito pesadas (volume I, cap. 4), a aproximação pode falhar mesmo com amostras grandes — e é exatamente onde mais se confia nela.

2.3 Como ver isto sem matemática nenhuma

Há uma técnica que torna a variação amostral visível e que dispensa fórmulas — chama-se reamostragem:

1. Tem uma amostra de n observações.

2. Sorteie n observações com reposição a partir dela — uma amostra falsa, do mesmo tamanho.

3. Calcule a estatística que lhe interessa (média, mediana, p90, o que for).

4. Repita 10 000 vezes.

5. O histograma desses 10 000 valores é a distribuição amostral, obtida sem uma única fórmula.

Recomenda-se fazer isto uma vez, para qualquer métrica real, mesmo que depois use fórmulas para sempre. Ver o histograma das estimativas transforma um conceito abstrato numa imagem concreta, e essa imagem é o que impede os erros de interpretação dos capítulos 4 e 6. Tem também uma vantagem prática: funciona para estatísticas que não têm fórmula simples, como a mediana ou o p90.

Exercício 2.1 — Reamostre uma vez na vida

Pegue nos seus dados, reamostre 10 000 vezes e desenhe o histograma da média. Depois faça o mesmo para a mediana e para o p90 — e repare em quanto mais largo é o do p90. É a explicação visual do capítulo 5 do volume I, sobre percentis precisarem de volume.

Capítulo 03 Núcleo

Erro-padrão, e a tirania da raiz quadrada

Uma fórmula com uma raiz quadrada governa o custo de toda a precisão estatística — e explica porque estudos pequenos não se resolvem com um pouco mais de dados.

3.1 O que é o erro-padrão

O erro-padrão é o desvio-padrão da distribuição amostral — ou seja, uma medida de quanto a sua estimativa oscilaria se repetisse a recolha. Para uma média:

A fórmula, e a parte que interessa

erro-padrão = desvio-padrão dos dados ÷ √n

Duas leituras. Primeira: quanto mais variam os dados, pior a estimativa — óbvio. Segunda, e é a que tem consequências: a precisão melhora com a raiz de n, não com n.

3.2 O que a raiz quadrada custa

Para reduzir o erro a…Precisa de
Metade os dados
Um terço
Um décimo100×

Consequências práticas que decidem projetos:

3.3 O erro-padrão não é o desvio-padrão

A confusão mais comum em gráficos

São coisas diferentes e respondem a perguntas diferentes:

  • Desvio-padrão — quanto variam os indivíduos. Não diminui com mais dados: é uma propriedade do mundo.
  • Erro-padrão — quanto varia a estimativa. Diminui com mais dados: é uma propriedade do estudo.

Um gráfico com barras de erro é ambíguo até dizer qual das duas está a mostrar — e a diferença entre elas pode ser de um fator de trinta. Barras de erro-padrão parecem sempre mais convincentes; barras de desvio-padrão descrevem melhor a variabilidade real. Rotule sempre.

3.4 O que a fórmula assume, e quando falha

A pergunta de controlo

"Qual é a minha unidade independente?" Utilizadores, não sessões. Turmas, não alunos, se a intervenção foi na turma. Lojas, não transações. Errar aqui é a forma mais eficaz de produzir certezas infundadas com aritmética correta.

Exercício 3.1 — Conte as unidades independentes

Para a última análise que fez, escreva quantas linhas tinha e quantas unidades independentes. Se os números forem muito diferentes, recalcule o erro com o número menor e veja o que acontece às conclusões.

Capítulo 04 Núcleo

O intervalo de confiança e o que ele afirma mesmo

É a ferramenta mais útil deste volume e a mais mal explicada. A definição correta é estranha, e a estranheza tem consequências práticas.

4.1 A construção

Um intervalo de confiança a 95% para uma média é, aproximadamente, a estimativa ± 2 erros-padrão. Se mediu 3,4% com um erro-padrão de 0,15 pontos, o intervalo é [3,1% — 3,7%].

4.2 O que significa, à letra

A definição correta

Se repetisse todo o estudo muitas vezes e construísse um intervalo de cada vez, 95% desses intervalos conteriam o valor verdadeiro.

Repare no sujeito da frase: a garantia é sobre o procedimento, não sobre este intervalo em particular. Este intervalo concreto ou contém o valor verdadeiro ou não contém — não há probabilidade nenhuma sobre ele depois de calculado, porque o valor verdadeiro é fixo e o intervalo também já é.

É intelectualmente desconfortável, e é a razão pela qual quase toda a gente o interpreta mal. Vale a pena separar as duas leituras:

Não dizDiz
"Há 95% de probabilidade de o valor verdadeiro estar entre 3,1% e 3,7%""Este é um intervalo produzido por um método que acerta 95% das vezes"
"95% das observações estão neste intervalo"Nada sobre observações individuais — isso é o desvio-padrão (cap. 3)
"95% das amostras futuras cairão aqui"Nada sobre amostras futuras
A honestidade sobre esta distinção

Na prática, quase toda a gente — incluindo cientistas — lê o intervalo como "provavelmente a verdade está aqui dentro". Como hábito de trabalho isso não costuma causar estragos, e há uma tradição estatística (bayesiana) em que uma afirmação parecida é formalmente correta, com um objeto chamado intervalo de credibilidade.

Onde a distinção morde é noutro sítio: leva as pessoas a pensar que o intervalo captura toda a incerteza. Não captura. Captura apenas a variação amostral, e assume que o modelo e a amostragem estão certos. Um intervalo estreito sobre uma amostra enviesada continua estreito e continua errado.

4.3 Porque é melhor que um teste

O intervalo diz tudo o que um teste de hipóteses diz, e mais:

Recomendação prática deste volume

Reporte intervalos, não valores-p. Se tiver de reportar um valor-p, reporte-o ao lado do intervalo, nunca sozinho. É a mudança de hábito com maior efeito sobre a qualidade das decisões, e não custa nada.

4.4 Ler intervalos que se sobrepõem

Uma armadilha visual frequente

Dois intervalos que se sobrepõem não implicam ausência de diferença significativa. É tentador olhar para duas barras de erro e concluir por inspeção, e a inferência sobre a diferença exige calcular o intervalo da diferença, que é mais estreito do que a sobreposição sugere.

O inverso é fiável: se dois intervalos a 95% não se sobrepõem, a diferença é significativa. A regra é assimétrica — segura numa direção, enganadora na outra.

Exercício 4.1 — Os dois nadas

Procure nos relatórios da sua equipa duas conclusões de "não houve efeito". Calcule o intervalo de cada uma. Descubra qual é um nulo informativo e qual é um estudo que não conseguiu ver nada — e note que foram comunicados da mesma maneira.

Capítulo 05 Núcleo

Testes de hipóteses: a lógica estranha por trás

O procedimento é mecânico e a lógica é contraintuitiva. Perceber a lógica é o que impede as cinco leituras erradas do capítulo seguinte.

5.1 O raciocínio, por passos

1. Suponha que não há efeito nenhum. É a hipótese nula — e é uma suposição de trabalho, não uma crença.

2. Nesse mundo, calcule que resultados apareceriam só por variação amostral (cap. 2).

3. Compare o seu resultado com essa distribuição.

4. Se o seu resultado for muito improvável nesse mundo, conclua que o mundo provavelmente não é esse.

É uma prova por absurdo probabilística: assume-se o contrário do que se quer mostrar e mostra-se que os dados encaixam mal nessa suposição. Daí toda a estranheza da linguagem — "rejeitar a hipótese nula" em vez de "provar o efeito".

5.2 As duas formas de errar

Não há efeitoHá efeito
Concluiu que háErro tipo I — falso positivo. Probabilidade = α (tipicamente 5%)Acertou
Concluiu que não háAcertouErro tipo II — falso negativo. Probabilidade = β

Poder = 1 − β: a probabilidade de detetar um efeito de determinado tamanho, se ele existir. É o assunto do capítulo 7, e é o parâmetro que quase ninguém calcula.

Porquê 5%?

Por convenção, e por nenhuma outra razão. Ronald Fisher sugeriu-o nos anos 1920 como um limiar cómodo, dizendo explicitamente que cada investigador devia escolher o seu conforme o contexto. Tornou-se lei por hábito e por conveniência editorial.

O que isto implica: não há nada de fundamental em 0,05. Um resultado com p = 0,049 e outro com p = 0,051 são praticamente idênticos como evidência — a diferença entre "significativo" e "não significativo" não é, ela própria, significativa. Tratar a fronteira como se separasse verdade de falsidade é o erro de base de todo o edifício.

5.3 "Não rejeitar" não é "aceitar"

A assimetria fundamental do procedimento

Não encontrar evidência de efeito não é evidência de ausência de efeito. Pode não haver efeito, ou pode o estudo ser pequeno de mais para o ver — e o teste não distingue as duas situações.

Para afirmar que não há efeito é preciso outra coisa: um teste de equivalência, em que se define de antemão o que conta como "diferença irrelevante" e se mostra que o intervalo cabe dentro desse limite. É raro, é o que responde a "podemos simplificar isto sem perder nada?", e devia ser muito mais comum do que é.

5.4 Uma escolha que se faz antes de ver os dados

O padrão comum às três: todas as decisões do procedimento têm de ser tomadas antes de olhar para o resultado, porque a garantia de 5% só vale se o procedimento for fixo. Um procedimento que se adapta ao que vê não tem 5% de falsos positivos — tem muito mais.

Exercício 5.1 — O teste de equivalência que falta

Identifique uma decisão do tipo "podemos remover isto sem perder nada?" que a sua equipa tenha tomado. Que margem de perda seria aceitável? Esse número é o que faltava para fazer a pergunta corretamente.

Capítulo 06 Crítica

O valor-p: o que ele não é

É o número mais reportado e mais mal compreendido da ciência aplicada. As interpretações erradas são poucas, são conhecidas, e vale a pena eliminá-las uma a uma.

6.1 A definição

À letra

O valor-p é a probabilidade de observar um resultado tão extremo como o seu, ou mais, se a hipótese nula for verdadeira.

Em símbolos: P(dados | não há efeito). A ordem importa mais do que tudo o resto neste capítulo.

6.2 As cinco leituras erradas

Interpretação erradaPorque está errada
"p = 0,03 significa 3% de probabilidade de a hipótese nula ser verdadeira"Troca a ordem: calcula-se P(dados | nulo), não P(nulo | dados). São quantidades diferentes e podem diferir por ordens de grandeza (6.3)
"p = 0,03 significa 97% de probabilidade de o efeito ser real"A mesma troca, com sinal contrário
"p pequeno significa efeito grande"Não diz nada sobre magnitude. Com amostra enorme, um efeito irrelevante dá p minúsculo
"p = 0,06 significa que não há efeito"Significa que não se distinguiu do acaso com estes dados. Ausência de evidência ≠ evidência de ausência
"p = 0,03 significa que se repetir, 97% das vezes dá igual"Não diz nada sobre replicação. A probabilidade de replicar é normalmente muito menor do que as pessoas supõem
A troca de ordem, com um exemplo que se sente

P(ser português | falar português) é alta. P(falar português | ser português) é praticamente 1. Não são a mesma coisa, e trocá-las é exatamente o erro da primeira linha da tabela.

Passar de P(dados | nulo) para P(nulo | dados) exige uma coisa que o valor-p não contém: a probabilidade inicial de a hipótese ser verdadeira. É a taxa-base, e é a mesma ideia de Previsão Calibrada.

6.3 Porque a taxa-base decide tudo

Duas equipas, o mesmo p = 0,03

Equipa A testa uma hipótese sólida, sugerida por entrevistas e por dados anteriores. Digamos que ideias assim acertam 1 em 2 vezes.

Equipa B testa 200 variações de cor de botão, sem teoria nenhuma. Ideias assim acertam, talvez, 1 em 50.

Com poder de 80% e α de 5%, entre resultados significativos:

  • Equipa A: em 100 hipóteses, 50 verdadeiras → 40 detetadas; 50 falsas → 2,5 falsos positivos. ~94% dos resultados significativos são reais.
  • Equipa B: em 100 hipóteses, 2 verdadeiras → 1,6 detetadas; 98 falsas → 4,9 falsos positivos. ~25% dos resultados significativos são reais.
A conclusão

O mesmo p = 0,03 vale coisas radicalmente diferentes conforme a plausibilidade prévia da hipótese. O valor-p não sabe nada sobre isso, e por isso não pode, sozinho, dizer se um resultado é real. Testar muitas ideias sem teoria é uma máquina de produzir falsos positivos com aprovação estatística — e piora com poder baixo (cap. 7).

6.4 O que fazer com isto

Exercício 6.1 — A taxa-base da sua equipa

Das últimas 20 hipóteses que a sua equipa testou, quantas se confirmaram e mantiveram o efeito depois? Essa fração é a sua taxa-base. Use-a em 6.3 para calcular quanto vale, de facto, um resultado significativo na sua casa.

Capítulo 07 Núcleo

Poder, e a maldição do vencedor

O poder é o parâmetro que quase ninguém calcula, e o único que explica porque tantos efeitos publicados encolhem quando alguém tenta repeti-los.

7.1 O que é

Poder é a probabilidade de detetar um efeito de determinado tamanho, se ele existir. Depende de quatro coisas, e fixadas três, a quarta está determinada:

FatorEfeito no poder
Tamanho da amostraMais dados, mais poder (pela raiz de n — cap. 3)
Tamanho do efeito realEfeitos grandes vêem-se com pouco; pequenos exigem muito
Variabilidade dos dadosMais ruído, menos poder
Limiar αMais exigente (α menor), menos poder

É por isso que o cálculo de poder se faz antes de recolher dados: serve para decidir o tamanho da amostra, e depois do estudo já não tem utilidade — nessa altura o intervalo diz tudo o que interessa.

A conversa que o cálculo de poder força

Para calcular, é preciso responder a: "qual é o efeito mais pequeno que valeria a pena detetar?" — em euros, em pontos percentuais, em segundos. É uma pergunta de negócio, não de estatística, e obriga a decidir de antemão o que conta como sucesso.

Metade do valor do cálculo está nesta conversa. A outra metade está no número que sai — e que frequentemente revela que o estudo planeado não tem hipótese nenhuma de responder à pergunta, o que é bom saber antes de o correr.

7.2 O que acontece com poder baixo

A consequência que quase ninguém conhece

Com poder baixo espera-se, obviamente, falhar a deteção muitas vezes. O que é menos óbvio, e muito mais grave:

Num estudo com pouco poder, os resultados que atingem significância exageram sistematicamente o tamanho do efeito.

A razão é simples quando se vê: se o efeito real é pequeno e o ruído é grande, a única forma de ultrapassar o limiar é o ruído ter empurrado a estimativa para cima. Os resultados significativos são, por construção, uma seleção dos casos em que houve sorte na direção certa.

Chama-se maldição do vencedor (ou erro de magnitude), e é uma explicação central para os efeitos publicados que encolhem para metade quando alguém repete o estudo.

E há uma terceira consequência, ainda pior: com poder muito baixo, entre os resultados significativos há uma fração não desprezável em que o sinal está invertido — o estudo conclui que ajuda quando prejudica.

7.3 A conta que ninguém quer fazer

Caso · O teste A/B de duas semanas

Uma equipa quer detetar uma melhoria de conversão de 3,0% para 3,3% — um aumento relativo de 10%, que seria excelente. Com α = 5% e poder de 80%, o cálculo pede cerca de 50 000 visitantes por variante.

O site tem 6 000 visitantes por semana. O teste de duas semanas planeado dá 6 000 por variante: poder na ordem dos 12%.

Ou seja: se a melhoria for real, o teste falha em detetá-la em quase 9 de cada 10 vezes. E se der significativo, a estimativa do efeito estará muito inflacionada — porque só ultrapassa o limiar com bastante ajuda do ruído.

O que fazer perante isto

As opções honestas: 1) correr durante meses; 2) procurar efeitos maiores, em mudanças mais radicais; 3) mover a medição para um ponto do funil com mais volume; 4) reduzir a variabilidade; 5) decidir sem teste, assumindo-o.

A opção desonesta, e a mais frequente, é correr as duas semanas e reportar o resultado como se significasse alguma coisa.

7.4 A implicação estratégica

Para a maior parte das equipas de produto, a conclusão prática é desagradável e libertadora: não têm volume para detetar melhorias pequenas, e por isso não devem tentar. Faz mais sentido testar poucas mudanças grandes do que muitas pequenas — não por gosto, mas porque as pequenas são invisíveis àquele volume, e testá-las produz sobretudo ruído com aparência de resultado.

Exercício 7.1 — O poder retrospetivo dos seus testes

Pegue nos últimos cinco testes A/B da sua equipa e calcule o poder que tinham para o efeito que queriam detetar. Se algum passar de 50%, é bom sinal. O habitual é encontrar valores abaixo de 20% — e ter de reler as decisões tomadas a partir deles.

Capítulo 08 Crítica

Comparações múltiplas e os caminhos que se bifurcam

Se procurar em vinte sítios, encontra alguma coisa em pelo menos um — e a estatística padrão não sabe que procurou nos outros dezanove.

8.1 A aritmética

Com α = 5%, cada teste tem 5% de probabilidade de dar falso positivo. Com testes independentes:

TestesP(pelo menos um falso positivo)
15%
523%
1451%
2064%
5092%

Aos 14 testes é mais provável do que não encontrar pelo menos um resultado "significativo" mesmo que nada seja real. E ninguém pensa em si próprio como estando a fazer 14 testes — pensa que está a "explorar os dados".

8.2 Onde os testes se acumulam sem se dar conta

O jardim de caminhos que se bifurcam

A parte mais subtil, e a mais comum: nem é preciso correr múltiplos testes para ter o problema. Basta que as escolhas de análise tenham sido tomadas depois de ver os dados — se o resultado tivesse sido outro, teria feito outro corte, outra exclusão, outra transformação.

Cada uma dessas escolhas era um teste possível. O procedimento efetivo não foi "um teste", foi "o teste que este conjunto de dados sugeriu" — e a garantia dos 5% não se aplica a esse procedimento. É o problema mais difícil de detetar, porque quem o comete está de boa-fé e não fez nada que pareça errado.

8.3 As correções, e o que custam

AbordagemComoCusto
BonferroniDividir α pelo número de testesSimples e muito conservador; destrói o poder com muitos testes
Controlo da taxa de falsas descobertasControlar a proporção de falsos entre os positivos, não a probabilidade de qualquer umBem mais poder; a escolha certa quando há muitos testes exploratórios
Uma métrica primáriaDeclarar antes qual decide; as outras são exploratórias e assim rotuladasNenhum — e é de longe a melhor solução
A hierarquia certa

A correção estatística é um remédio; declarar antes é a cura. Uma métrica primária, definida antes de correr o teste, resolve o problema sem custo de poder nenhum. Tudo o resto é exploratório — o que é perfeitamente legítimo desde que seja chamado exploratório e gere uma hipótese a testar depois, em dados novos.

8.4 Espreitar é um caso especial e grave

Olhar para o resultado todos os dias e parar quando fica significativo inflaciona enormemente a taxa de falsos positivos — com espreitadelas suficientes, um teste sem efeito nenhum acaba por cruzar o limiar quase de certeza, porque a estatística oscila e basta apanhá-la num pico.

É o erro mais comum em testes A/B de produto, porque o painel está sempre ali e a tentação é permanente. As saídas legítimas: fixar a duração de antemão e não olhar, ou usar métodos desenhados para análise contínua — testes sequenciais, ou intervalos de validade permanente — que pagam o preço em poder de forma explícita e correta (Experimentação & A/B Testing).

Exercício 8.1 — Conte os testes de verdade

Pegue na última análise exploratória que fez. Conte todos os cortes, métricas, filtros e transformações que experimentou — incluindo os que não entraram no relatório. Esse é o número real de testes. Aplique-o à tabela de 8.1.

Capítulo 09 Método aplicado · Demo

Um resultado significativo, desmontado

Role devagar. Um teste A/B que "ganhou com p = 0,03" — e as seis perguntas que o desfazem, uma de cada vez.

Camada 0 — o anúncio

"+14%, p = 0,03, vamos lançar"

Nada nesta frase é falso. A conversão do grupo B foi mesmo superior, e o valor-p foi mesmo 0,03. O problema é o que a frase omite — e cada uma das cinco perguntas seguintes é uma omissão diferente, todas elas verificáveis com os dados que já existem.

Vale a pena notar que ninguém agiu de má-fé nesta história. É o que acontece por omissão quando as perguntas não são hábito.

Pergunta 1 — o intervalo

Compatível com "quase nada" e com "enorme"

O intervalo de confiança (cap. 4) vai de +1% a +27% em termos relativos. É o mesmo teste, e sustenta uma projeção anual entre 13 mil e 340 mil euros — uma amplitude que torna a decisão de investimento completamente diferente em cada extremo.

Um valor-p de 0,03 diz apenas que o intervalo não inclui o zero. Diz-lhe que o limite inferior está do lado direito, e nada sobre onde está o resto. É por isso que a recomendação deste volume é reportar o intervalo primeiro.

Pergunta 2 — o poder

Com 12% de poder, ganhar significa que houve sorte

Aqui está a parte contraintuitiva do capítulo 7. O teste tinha 12% de poder para detetar o efeito que interessava. Num regime desses, a única forma de a estimativa ultrapassar o limiar é o ruído ter empurrado na direção certa.

Logo, a estimativa de +14% é quase de certeza uma sobrestimativa — não por erro de cálculo, mas por seleção: estamos a olhar para os casos em que o acaso ajudou. É a explicação mecânica de porque tantos "ganhos" de testes A/B desaparecem quando a funcionalidade é lançada e a métrica volta ao normal.

Pergunta 3 — quantas métricas

Oito métricas, e nenhuma declarada como primária

O painel mostrava oito métricas e uma delas cruzou o limiar. Com oito testes independentes, a probabilidade de pelo menos um falso positivo é de 34% — mesmo que a alteração não tenha efeito nenhum (cap. 8).

Não há sequer necessidade de acusar ninguém de escolher a métrica conveniente: basta olhar para oito e comunicar a que se destacou, o que é o comportamento humano normal perante um painel. A correção não é estatística — é declarar a métrica primária antes de correr, o que custa uma linha e resolve tudo.

Pergunta 4 — a paragem

Pararam no dia em que cruzou, e o dia seguinte já não cruzava

O histórico mostra treze observações do valor-p ao longo do teste, e a paragem no dia em que ficou abaixo de 0,05. Isto não é um teste com 5% de falsos positivos: com espreitadelas repetidas, a taxa real sobe para a ordem dos 25 a 30% (cap. 8).

O detalhe que fecha o argumento é o dia 14: p = 0,07. Um dia mais e não haveria resultado nenhum a anunciar. Quando a conclusão depende do dia em que se olhou, não é uma conclusão sobre o mundo — é uma conclusão sobre o momento em que se parou.

O relatório honesto

Gera uma hipótese; não decide

O que sobra depois das quatro perguntas não é "o teste não valeu nada". É uma reclassificação: era um estudo exploratório e foi comunicado como confirmatório. Como exploratório é perfeitamente útil — produziu uma hipótese específica, com uma direção e uma magnitude aproximada, que é mais do que havia antes.

E o passo seguinte fica definido sozinho: métrica primária declarada, duração fixa calculada a partir do poder, sem espreitar. Se o efeito for real, seis semanas confirmam-no. Se não for, poupa-se o custo de manter uma funcionalidade que não faz nada — que é um custo real e que ninguém contabiliza.

Exercício 9.1 — As quatro perguntas

Aplique as quatro perguntas ao último resultado significativo da sua equipa: qual é o intervalo, que poder tinha, quantas métricas foram olhadas, e quando se parou. É raro que as quatro sobrevivam.

Capítulo 10 Prática

Tamanho de efeito: a pergunta que interessa

Significância responde a «distingue-se do acaso?». Quase sempre a pergunta real é outra: «é grande o suficiente para valer a pena?».

10.1 As duas perguntas são independentes

Efeito pequenoEfeito grande
SignificativoReal e irrelevante — típico de amostras enormesO caso bom
Não significativoProvavelmente nada, ou nada que importeEstudo pequeno de mais — o caso que mais se desperdiça
A célula superior esquerda, em produtos com muito tráfego

Com dez milhões de sessões, tudo é significativo. Uma diferença de 0,003 pontos percentuais dá p < 0,001 e é completamente irrelevante para qualquer decisão. Em escala grande, a significância deixa de discriminar — e continua a ser reportada como se discriminasse.

É a razão pela qual empresas com muito tráfego precisam de definir um efeito mínimo relevante e comparar contra ele, não contra zero. A pergunta passa a ser "o intervalo exclui valores abaixo do que nos interessa?", que é uma pergunta melhor em todos os tamanhos de amostra.

10.2 Em que unidades falar

10.3 O custo do outro lado

A decisão não é só sobre o efeito

Um efeito real e positivo pode não valer a pena: se um ganho de 0,4 pontos percentuais exige manter dois caminhos de código, mais um teste, e mais uma coisa que se pode partir, a conta inclui esse custo. A estatística responde a "é real?"; a decisão pesa "é real, é grande, e quanto custa mantê-lo?".

Sobre a estrutura dessa decisão — reversibilidade, valor de opção, valor da informação — Decisão sob Incerteza trata do assunto diretamente.

10.4 Como reportar

Uma linha que diz tudo

"A variante B aumentou a conversão em 0,42 pontos percentuais (de 3,00% para 3,42%), com intervalo de confiança a 95% de [+0,04; +0,80]. Em receita anual, isso corresponde a algo entre 13 mil e 340 mil euros. Métrica primária declarada antes do teste; duração fixa de 6 semanas; sem análises intermédias. Poder de 80% para detetar +10% relativo."

Tem tudo o que é preciso para decidir: magnitude, incerteza, tradução para dinheiro, e as condições que tornam o número interpretável. Ocupa quatro linhas e substitui com vantagem qualquer "p = 0,03 ✓".

Exercício 10.1 — O efeito mínimo relevante

Para as três métricas mais importantes da sua equipa, escreva qual é a menor diferença que mudaria uma decisão. Se ninguém souber responder, essa é a lacuna — e é anterior a qualquer questão estatística.

Capítulo 11 Crítica

Porque tantos resultados não se repetem

Quando se tentou repetir sistematicamente estudos publicados em várias áreas, uma fração grande não se confirmou. As causas não são fraude — são os capítulos anteriores, todos ao mesmo tempo.

11.1 O que se descobriu

A partir de 2011, esforços organizados de replicação em psicologia, economia experimental, biologia do cancro e outras áreas produziram um resultado desconfortável: uma proporção substancial dos estudos publicados não se confirma quando repetida, e entre os que se confirmam, os efeitos são tipicamente bastante menores do que o publicado.

As percentagens variam com a área e com o critério de "replicou", e não vale a pena fixar-se num número. O padrão é que interessa, e é consistente: menos confirmações do que se esperaria, e efeitos que encolhem.

11.2 As causas, e onde já as viu

CausaMecanismoCapítulo
Poder baixoEstudos pequenos que, ao atingirem significância, exageram o efeito7
Caminhos que se bifurcamEscolhas de análise feitas depois de ver os dados8
Enviesamento de publicaçãoResultados nulos não são publicados, portanto a literatura é uma amostra dos positivosVolume I, cap. 11
Taxa-base baixaHipóteses pouco plausíveis testadas em massa6
Fetiche do limiarPublicar exige p < 0,05, o que cria pressão para lá chegar5
O ponto que costuma passar ao lado

Nenhuma destas causas exige má-fé. Um investigador honesto, com um estudo pequeno, várias métricas razoáveis e liberdade de análise, produz resultados irreprodutíveis sem violar regra nenhuma e sem se aperceber.

É por isso que a resposta não é apelar à integridade — é mudar o procedimento. Sistemas em que a honestidade individual não chega precisam de estrutura, não de virtude.

11.3 O que isto significa fora da academia

Uma equipa de produto tem todos os ingredientes e mais alguns:

A consequência prática é conhecida de quem trabalha com experimentação: a soma dos ganhos anunciados ao longo do ano não aparece no total do negócio. Se cada teste deu +5% e a conversão anual está igual, os ganhos não eram reais — e o mecanismo está descrito nesta apostila inteira.

11.4 O que funciona contra isto

Declarar antes

Métrica primária, direção esperada, duração, critérios de exclusão — escritos e datados antes de correr. É a intervenção mais eficaz que existe, e a mais barata.

Registar tudo, inclusive o nada

Um repositório onde os testes que não deram nada ficam com o mesmo estatuto dos que deram. Corrige o enviesamento de publicação interno e evita repetir tentativas mortas.

Confirmar em dados novos

Achados exploratórios geram hipóteses; hipóteses testam-se noutros dados. Separar as duas fases é o que distingue descoberta de auto-engano.

Menos testes, maiores

Contraintuitivo e correto: com pouco volume, poucos testes com poder decente valem mais que muitos sem poder nenhum (cap. 7).

Então a estatística não serve para nada?

Serve, e o que a crise de replicação mostrou não foi que os métodos falham — foi que são usados fora das condições em que funcionam. A garantia de 5% é uma garantia sobre um procedimento fixo, aplicado uma vez, a uma hipótese especificada de antemão. Aplicada a um procedimento flexível, repetido em oito métricas, com paragem oportunista, essa garantia simplesmente não existe — e o número continua a aparecer no relatório com o mesmo aspeto.

A resposta não é abandonar a inferência: é reportar intervalos em vez de limiares, declarar antes, e tratar a maior parte da análise como exploratória — que é o que ela é.

Exercício 11.1 — A soma que não bate certo

Some os ganhos anunciados de todos os testes que a sua equipa lançou no último ano. Compare com a variação real da métrica no mesmo período. A diferença é a medida local deste capítulo.

Capítulo 12 Ofício

O que fazer na segunda-feira

A inferência bem usada não é uma técnica avançada: é um punhado de hábitos, quase todos anteriores ao cálculo.

12.1 A lista, por ordem de utilidade

1 · Antes de recolher, escreva o que espera. Métrica primária, direção, efeito mínimo relevante, duração. Datado. Cinco minutos, e é a intervenção com maior retorno de toda esta apostila.

2 · Calcule o poder antes. Se der 15%, não corra o estudo — ou corra sabendo que é exploratório e diga-o.

3 · Identifique a unidade independente. Utilizadores, não sessões (cap. 3).

4 · Reporte intervalos, não limiares. Em unidades que signifiquem alguma coisa.

5 · Diga quantas coisas olhou. Métricas, segmentos, análises alternativas — todas.

6 · Não pare quando fica bonito. Duração fixa, ou método sequencial.

7 · Registe também o que não deu nada. Com o mesmo cuidado.

8 · Trate achados novos como hipóteses. Confirme noutros dados antes de decidir.

A observação que resume o volume

Sete dos oito passos não envolvem estatística nenhuma. São decisões sobre o desenho do estudo e sobre honestidade no relato. É por isso que equipas com estatísticos continuam a produzir conclusões frágeis, e equipas sem nenhum podem produzir conclusões sólidas — a parte difícil quase nunca é o cálculo.

12.2 Frases para banir, e as substitutas

Não escrevaEscreva
"A diferença é estatisticamente significativa.""+0,42 p.p. [+0,04; +0,80]."
"Não houve diferença.""O intervalo vai de −2% a +5%: este estudo não distingue nada nesse intervalo."
"Marginalmente significativo (p = 0,06)."O intervalo, sem adjetivos.
"Os dados provam que…""Os dados são consistentes com… e também com…"
"Encontrámos um efeito no segmento X.""Explorámos 6 segmentos; num deles apareceu… — é uma hipótese, não um resultado."

12.3 Quando não fazer inferência nenhuma

12.4 O que vem a seguir

III · Regressão e Modelos

Quando há mais de uma variável: ler um coeficiente sem o sobre-interpretar, interações, pressupostos, sobreajuste e validação.

IV · Causalidade

A pergunta que este volume não responde: os testes dizem se a diferença é distinguível do acaso, não porque existe. Confundimento, colisores e o que fazer sem aleatorização.

Na prática, já

Experimentação & A/B Testing para a plataforma e as ferramentas; Análise de Dados para fazer as contas em Python.

A outra tradição

Previsão Calibrada e Decisão sob Incerteza — probabilidade como grau de crença, taxa-base e atualização. Complementam este volume onde ele é mais fraco: dizer o que se deve acreditar.

Exercício 12.1 — Declare antes, uma vez

No próximo estudo ou teste, escreva o parágrafo de pré-registo antes de recolher: métrica primária, direção esperada, efeito mínimo relevante, duração, exclusões. Guarde-o. Compare no fim. Faça isto três vezes — à terceira já não vai querer fazer de outra maneira.