Apostila · Estatística, volume I de IV

Ver os dados:
antes de
concluir seja o que for

Dez pessoas num bar ganham 30 000 € por ano. Entra uma que ganha 5 milhões. A média salarial do bar passa a 481 818 € — e nenhuma das onze ganha nada parecido com isso. Não é um caso extremo inventado: é o comportamento normal da média em quase todos os dados reais. Este volume trata de olhar antes de resumir, porque quase todo o erro de inferência começa num erro de descrição.

12 capítulosda média enganosa à rotina de dez minutos
1 demo ao vivode uma métrica em seis camadas
12 exercíciospara fazer nos dados que já tem

↓ role para começar

Capítulo 01 Fundamento

A média mente, e mente de forma previsível

O primeiro instinto perante uma coluna de números é somar e dividir. É também a operação que mais informação destrói — e o modo como falha tem padrão.

1.1 O bar com o milionário

Dez pessoas num bar ganham 30 000 € por ano cada. Entra uma que ganha 5 milhões. A média salarial do bar passa a 481 818 €. Nenhuma das onze pessoas ganha nada parecido com isso.

Não é um truque nem um caso extremo inventado: é o comportamento normal da média em qualquer distribuição assimétrica — e salários, receitas por cliente, tempo de resposta, visitas por utilizador e vendas por produto são todos assimétricos. A média é uma boa medida para uma família estreita de distribuições, e a maior parte dos dados reais não pertence a essa família.

A regra

A média é o centro de gravidade, não o típico. Responde a "se dividisse tudo por igual, quanto tocava a cada um?" — uma pergunta que raramente é a pergunta. Quando quer saber o que é habitual, a mediana responde; quando quer saber o total, a média multiplicada pelo número de casos responde. Fora disso, a média é um número que se usa por hábito.

1.2 Três centros, três perguntas

MedidaResponde aFalha quando
MédiaQuanto há no total, dividido igualmenteHá assimetria ou valores extremos — puxa-a para a cauda
MedianaO que acontece à pessoa do meioA distribuição tem dois grupos distintos: o meio pode não existir
ModaO caso mais comumDados contínuos, ou várias modas — e aí a existência de várias é o achado

Média e mediana muito diferentes não são um problema de dados: são a informação. Media > mediana diz que há uma cauda à direita — poucos casos muito grandes. É a primeira coisa a verificar em qualquer tabela, e leva dois segundos.

1.3 O paradoxo da turma cheia

Quando duas médias verdadeiras se contradizem

Uma escola tem 10 turmas: nove com 20 alunos e uma com 200. A direção calcula o tamanho médio de turma: (9×20 + 200) / 10 = 38 alunos.

Um jornalista pergunta aos alunos quantos colegas têm na turma. 180 alunos respondem "20"; 200 respondem "200". Média: 115 alunos.

Nenhum dos dois mentiu. A direção calculou a média por turma, o jornalista a média por aluno — e as turmas grandes contêm mais alunos, portanto aparecem mais vezes na segunda contagem.

O nome disto

Enviesamento de tamanho. Aparece sempre que a unidade de contagem não é a unidade de interesse: a duração média de uma consulta médica difere consoante se pergunte ao médico ou aos doentes na sala de espera; o tamanho médio de uma empresa difere consoante se conte empresas ou trabalhadores. Antes de qualquer média, a pergunta é média de quê, contada uma vez por quem?

1.4 O que esta série é

Delimitação e ordem de leitura

Este é o volume I de quatro. Trata de olhar para os dados: distribuições, dispersão, percentis, o que a agregação destrói. Não faz inferência — não há intervalos de confiança nem valores-p aqui, e isso é deliberado, porque quase todo o erro de inferência começa num erro de descrição.

Os volumes II (inferência), III (regressão) e IV (causalidade) seguem-se. Para o lado subjetivo da probabilidade — calibração, taxa-base, decisão — a trilha existente já responde: Previsão Calibrada e Decisão sob Incerteza. Para estimar grandezas sem dados, Raciocínio Quantitativo. Para fazer isto em Python com pandas, Análise de Dados.

Exercício 1.1 — Média contra mediana

Pegue nas cinco métricas que a sua equipa acompanha e calcule as duas para cada. Onde a diferença passar dos 20%, a média está a ser puxada por uma cauda — e provavelmente está num relatório, sozinha, a ser lida como se fosse o típico.

Capítulo 02 Fundamento

Olhe para a distribuição antes de a resumir

Um resumo estatístico é uma compressão com perdas. A questão é o que se perdeu — e a única forma de saber é ver a forma primeiro.

2.1 Números iguais, dados diferentes

É possível construir conjuntos de dados com a mesma média em x, a mesma média em y, o mesmo desvio-padrão em ambos e a mesma correlação — e que, desenhados, mostram coisas completamente distintas: uma reta, uma curva, uma nuvem com um ponto extremo, dois grupos separados, e até um desenho de um dinossauro.

Isto não é uma curiosidade: é a demonstração de que as estatísticas de resumo não identificam os dados. Duas realidades opostas podem produzir a mesma tabela. Só o desenho as separa.

A regra que se segue daqui

Desenhe sempre antes de resumir. Um histograma leva cinco segundos e apanha: assimetria, várias modas, valores impossíveis, truncagem, arredondamentos, e o pico em zero que ninguém mencionou. Nenhuma destas coisas aparece numa média.

2.2 O que procurar na forma

O que vêO que significaO que fazer
Uma corcunda, simétricaMédia e mediana coincidem; o resumo habitual serveSeguir
Cauda longa à direitaPoucos casos muito grandes dominam o totalMediana e percentis; considerar escala logarítmica
Duas corcundasProvavelmente dois grupos misturadosEncontrar a variável que os separa — é o achado, não um defeito
Pico em zero e o resto espalhadoDois processos: "acontece ou não" e "quanto, se acontecer"Analisar em separado; a média mistura-os e não descreve nenhum
Corte abrupto num extremoTruncagem ou um limite do sistemaProcurar a regra: um plafond, um limite de campo, um filtro esquecido
Picos em números redondosDados declarados por pessoas, que arredondamNão confundir com um padrão real
O caso mais importante da tabela

Duas corcundas são quase sempre a descoberta mais valiosa que um histograma dá. Significa que a população não é uma: são duas, e a média está entre elas, a descrever ninguém — como o "tempo médio de carregamento" de uma aplicação que tem utilizadores em fibra e em rede móvel. Otimizar contra essa média melhora a experiência de nenhum dos dois grupos.

2.3 Os três gráficos, e o que cada um esconde

Histograma

Mostra a forma. Esconde: a escolha da largura das barras muda o que se vê — barras largas de mais alisam duas corcundas numa só. Experimente sempre duas ou três larguras antes de concluir.

Caixa de bigodes

Compacto, bom para comparar grupos. Esconde: não distingue uma corcunda de duas. Duas distribuições opostas podem dar caixas idênticas — é o erro do capítulo aplicado a um gráfico.

Função de distribuição acumulada

Mostra toda a distribuição sem escolher larguras, e lê-se diretamente em percentis. Esconde: nada, mas exige hábito para ler. É o gráfico subutilizado do lote.

Nuvem de pontos com transparência

Para muitos pontos, sobrepostos. Esconde: sem transparência, uma zona densa e uma zona saturada parecem iguais, e a densidade é a informação.

Sobre fazer estes gráficos bem — e sobre o que os torna legíveis a quem não os pediu — veja Comunicação de Dados.

2.4 Antes de tudo: olhe para as linhas

Antes até do histograma, abra os dados em bruto e leia vinte linhas — as primeiras, as últimas, e vinte ao acaso. Encontra-se ali, em minutos, o que nenhuma estatística revela: colunas trocadas, datas em três formatos, a cadeia "N/A" numa coluna numérica, valores de teste, e a linha de totais que alguém deixou dentro dos dados.

Exercício 2.1 — Três larguras

Faça o histograma da sua métrica principal com três larguras de barra muito diferentes. Se a forma mudar de conclusão entre elas, tem um problema de resolução — e nenhuma frase sobre a "distribuição" daquela métrica é defensável até o resolver.

Capítulo 03 Fundamento

A dispersão é a informação

Quase todo o valor de uma análise está na variação, e quase toda a comunicação a deita fora. Um número sozinho é uma resposta a uma pergunta que ninguém fez.

3.1 O rio com um metro de profundidade média

A piada é conhecida — o estatístico que se afogou a atravessar um rio com um metro de profundidade média — e o ponto é sério: a decisão depende quase sempre da cauda, não do centro. Dimensiona-se um servidor para o pico, não para a média; planeia-se um orçamento para o mau ano, não para o ano típico; e uma entrega demora o que demora no dia mau.

3.2 Quatro formas de dizer "quanto varia"

MedidaLê-se comoQuando usar
Amplitude (mín–máx)Os dois extremosRápido e frágil: depende de dois pontos, e cresce só por haver mais dados
Desvio-padrãoDistância típica à médiaBom em distribuições simétricas; enganador em assimétricas, pela mesma razão que a média
Intervalo interquartisOnde estão os 50% do meioRobusto; a escolha por omissão para dados reais
Percentis (p50, p90, p99)Pontos concretos da distribuiçãoQuando a decisão é sobre a cauda — que é quase sempre
O coeficiente de variação

Desvio-padrão dividido pela média. Serve para uma coisa que as outras não fazem: comparar variabilidade entre grandezas de escalas diferentes. Um desvio de 5 € é enorme num café e irrelevante num carro; 0,05 e 0,002 dizem-no diretamente.

3.3 Latência é o exemplo canónico

Porque a latência média de um serviço é um número inútil

Um serviço tem latência média de 200 ms. Parece bom. A distribuição real:

  • p50 = 80 ms — metade dos pedidos é rápida
  • p90 = 250 ms — ainda aceitável
  • p99 = 3 200 ms — um em cada cem pedidos demora mais de três segundos

Um em cem parece pouco até se fazer a conta que interessa: uma página que faz 20 pedidos tem 18% de probabilidade de apanhar pelo menos um desses. E os utilizadores mais ativos — os que fazem mais pedidos — apanham-nos quase sempre. A cauda não atinge 1% das pessoas: atinge quase toda a gente, algumas vezes.

A regra operacional

Para latência, nunca reporte a média. Reporte p50, p90 e p99, sempre os três. E note uma armadilha: percentis não se somam nem se calculam a média — o p99 de um dia não é a média dos p99 horários, e o p99 de duas máquinas não é a média dos dois. Guarde as distribuições, não os resumos.

3.4 A variação que se ignora por comodidade

Exercício 3.1 — O relatório com percentis

Pegue no último relatório que enviou. Para cada média, acrescente a mediana e o p90. Veja quantas conclusões continuam a valer. É desconfortável e é o exercício mais honesto deste capítulo.

Capítulo 04 Núcleo

De onde vêm as formas

As distribuições que se encontram não são arbitrárias: cada forma comum é a assinatura de um mecanismo. Reconhecer a forma é uma pista sobre como o mundo produziu aqueles números.

4.1 Quatro mecanismos, quatro formas

MecanismoForma que produzOnde aparece
Somar muitas contribuições pequenas e independentesNormal (sino simétrico)Erros de medição, altura de adultos, médias de amostras
Multiplicar muitos fatoresLog-normal (assimétrica, cauda direita)Rendimentos, preços, tempos de tarefa, dimensão de ficheiros
Acumular vantagem — quem tem mais recebe maisLei de potência (cauda muito pesada)Ligações a sites, seguidores, vendas por título, cidades
Eventos raros e independentes no tempoPoissonChegadas de pedidos, avarias, chamadas por hora
A diferença entre somar e multiplicar

É a origem de metade dos enganos. Se uma quantidade resulta de somas, os desvios compensam-se e obtém-se um sino simétrico. Se resulta de multiplicações — crescer 3% ao ano, cada etapa reter uma fração —, os desvios acumulam-se em proporção e obtém-se uma cauda direita.

Consequência prática: quando uma quantidade é produto de fatores, trabalhe com o logaritmo. Em escala logarítmica a log-normal volta a ser um sino, as ferramentas habituais voltam a funcionar, e o gráfico deixa de ser uma parede junto a zero com três pontos perdidos à direita.

4.2 A normal é mais rara do que parece

A distribuição normal domina o ensino da estatística por uma razão matemática — o teorema do limite central diz que médias de amostras tendem para ela — e isso é frequentemente lido como se dissesse que os dados tendem para ela. Não diz.

A confusão que interessa desfazer

O teorema é sobre a distribuição das médias amostrais, não sobre a distribuição dos dados. Salários não são normais e nunca serão; a média de salários de amostras de 500 pessoas é aproximadamente normal. A primeira afirmação é sobre o mundo, a segunda sobre o procedimento — e é a segunda que sustenta a inferência do volume II.

Consequência: assumir normalidade nos dados quando eles são assimétricos leva a intervalos errados, a "outliers" que não são outliers, e a testes que rejeitam por causa da forma e não do efeito.

4.3 Caudas pesadas mudam as regras

Numa lei de potência, a intuição treinada em sinos falha de forma sistemática:

4.4 A distribuição que quase ninguém pensa: mistura

Muitos dados reais não seguem nenhuma forma nomeada porque são duas ou mais populações misturadas: compradores e curiosos, contas humanas e robôs, dias úteis e fins de semana, clientes empresariais e particulares. É a explicação mais provável para uma forma estranha, e é a mais fácil de investigar — basta encontrar a variável que separa e desenhar os grupos em separado.

A ordem de suspeitas

Perante uma distribuição que não se percebe, verifique por esta ordem: 1. são duas populações misturadas? 2. há um limite artificial a truncar (um plafond, um timeout, um campo com máximo)? 3. os dados foram declarados por pessoas (e portanto arredondados)? 4. só depois considere que a forma é mesmo assim.

4.5 Contagens raras e a intuição do acaso

Quando eventos raros ocorrem ao acaso e de forma independente, os intervalos entre eles não são regulares — são irregulares, com aglomerados e vazios. É por isso que uma sequência genuinamente aleatória parece ter padrões, e é por isso que "houve três avarias esta semana e nenhuma no mês passado" pode ser exatamente o que se espera de um processo estável.

A pergunta correta não é "isto é muito?", mas "quanto varia isto quando nada muda?". Uma taxa de 2 avarias por semana produz semanas com 0 e semanas com 5 sem que nada tenha acontecido — e reagir a cada uma delas é a definição de intervenção supersticiosa.

Exercício 4.1 — Identifique o mecanismo

Para cada uma das suas métricas principais, decida se resulta de somas, de produtos, de acumulação de vantagem ou de eventos raros. Depois faça o histograma e veja se a forma corresponde. As que não corresponderem são as interessantes — quase sempre são misturas.

Capítulo 05 Núcleo

Percentis, e porque a média de latência é má prática

Percentis são a ferramenta certa para quase todos os dados assimétricos, e são mal usados com uma regularidade impressionante.

5.1 O que um percentil diz

O percentil 90 é o valor abaixo do qual estão 90% das observações. É simples e tem duas virtudes que a média não tem: é robusto a extremos e lê-se diretamente como uma promessa — "90% dos pedidos respondem em menos de 250 ms" é uma frase que se pode pôr num contrato.

5.2 As três armadilhas

1 · Percentis não se somam

Não existe média de percentis. O p99 do dia não é a média dos p99 das 24 horas; o p99 de dez servidores não é a média dos dez. Para agregar é preciso guardar as distribuições (ou histogramas), não os resumos — e é um erro que se descobre tarde, quando já só se guardou o resumo.

2 · Caudas exigem volume

Um p99 calculado sobre 50 observações depende de meia observação: é ruído com aparência de precisão. Regra grosseira: para um p99 estável, milhares de pontos. Para o p999, muito mais.

3 · O percentil do pedido ≠ o do utilizador

Se uma sessão faz 20 pedidos, a fração de sessões afetadas pela cauda é muito maior que a fração de pedidos. Meça no nível em que a pessoa sente — é o mesmo enviesamento de tamanho do capítulo 1.

E uma quarta, subtil

Há várias definições de percentil e implementações diferentes dão valores diferentes em amostras pequenas. Irrelevante com muitos dados; fonte de discussões inúteis com poucos.

5.3 Onde percentis são a resposta certa

PerguntaMedida
Que experiência tem a maioria?p50 (mediana)
Que experiência tem quem tem má sorte?p90 / p95
Que garantia posso prometer?p99, e com margem
Que capacidade tenho de ter?O pico, não a média — dimensionar pela média é ficar em baixo metade do tempo
Quanto vale o total?Aqui sim, a média × o número de casos

5.4 Quando percentis também enganam

A regra geral por trás dos três pontos

Qualquer métrica que exclua silenciosamente os casos maus melhora sozinha. Antes de comemorar uma melhoria, pergunte o que saiu da amostra — é a pergunta que o volume II vai repetir em contexto de inferência, e é a mesma pergunta.

Exercício 5.1 — O painel honesto

Reescreva o painel de métricas da sua equipa substituindo cada média por três números: p50, p90 e a contagem. Apresente-o. A primeira reação é quase sempre "não sabia que estava assim" — e é esse o valor do exercício.

Capítulo 06 Prática

Outliers: três tipos, três decisões

Apagar um ponto porque é inconveniente é a forma mais fácil de mentir com dados de boa-fé. A decisão depende inteiramente de saber de onde veio o ponto.

6.1 Os três tipos

TipoComo reconhecerO que fazer
ErroImpossível no mundo: idade 300, peso negativo, data em 1900, o valor 999 usado como "não sei"Corrigir ou remover, documentando quantos e porquê
Outra populaçãoPlausível mas de outro processo: um robô, uma conta interna, um cliente empresarial numa amostra de particularesSeparar e analisar à parte — quase sempre o achado mais interessante
Cauda genuínaRaro mas real, e faz parte do fenómenoManter. Remover é apagar precisamente a parte que decide
Regras automáticas não distinguem os três

"Remover tudo acima de 3 desvios-padrão" é uma regra popular e cega: assume normalidade e, numa distribuição de cauda pesada, marca como outliers dados perfeitamente normais — e quanto maior a amostra, mais "outliers" produz, o que devia bastar como aviso.

Regras automáticas servem para sinalizar para inspeção, nunca para remover. A decisão exige olhar para o ponto e perguntar de onde veio.

6.2 O procedimento honesto

1. Assinale os candidatos com uma regra qualquer — serve só para produzir uma lista curta.

2. Olhe para as linhas inteiras, não para o valor isolado. O contexto costuma dizer imediatamente qual dos três tipos é.

3. Classifique cada um. Se não conseguir explicar de onde veio, isso é informação: não sabe.

4. Decida por tipo, não caso a caso — decidir caso a caso é como o enviesamento entra.

5. Reporte os dois resultados, com e sem os pontos em causa. Se a conclusão muda, essa é a conclusão principal, não uma nota de rodapé.

6.3 Um caso onde a exclusão era o erro

Caso · Os clientes que gastavam de mais

Uma equipa analisava o valor médio de encomenda e removia sistematicamente as encomendas acima de 5 000 € — "casos atípicos que distorcem a análise". Eram 0,3% das encomendas.

Ao serem examinadas, essas encomendas representavam 31% da receita total. Não eram erros: eram clientes empresariais a comprar em quantidade, através da loja normal, e ninguém no negócio sabia que existiam a esse nível.

A análise "limpa" descrevia com precisão um negócio que representava dois terços da receita e nenhuma das margens. O achado — que havia um segmento empresarial não servido — estava exatamente nos pontos que eram removidos todos os meses por rotina.

A lição

Em dados de negócio, os pontos extremos são frequentemente o negócio. Antes de remover, some o que representam. Se a fração do total for grande, não são ruído, seja qual for a regra estatística que os marque.

E os métodos robustos, não resolvem isto?

Ajudam e não substituem a decisão. Mediana, intervalo interquartis e médias aparadas reduzem a influência de pontos extremos sem os apagar, o que é preferível a remover. Mas reduzir a influência de um ponto é uma escolha tão substantiva como removê-lo — se os extremos são o fenómeno (capítulo 4), um método robusto está a minimizar precisamente a parte que interessa. A robustez é uma ferramenta contra contaminação, não contra caudas verdadeiras, e a diferença entre as duas coisas não é estatística: é de domínio.

Exercício 6.1 — Classifique vinte

Marque os vinte valores mais extremos da sua métrica principal e classifique cada um nos três tipos, olhando para a linha inteira. Depois some quanto representam do total. É frequente descobrir que "os atípicos" são uma fatia grande do negócio.

Capítulo 07 Núcleo

Denominadores: onde as taxas mentem

Uma percentagem é uma divisão, e quase todo o erro em percentagens está em baixo — no que se escolheu para dividir.

7.1 A pergunta que precede a taxa

Antes de olhar para o numerador

Dividido por quem, exatamente? "Taxa de conversão de 4%" pode ser sobre visitantes, sobre sessões, sobre visitantes únicos, sobre quem chegou ao carrinho, ou sobre quem viu a página de preços. Cinco números diferentes, todos chamados "conversão", todos comparados entre si em reuniões.

A maior parte das discussões sobre "os números não batem certo" é uma discussão sobre denominadores em que ninguém disse a palavra denominador.

7.2 As quatro formas de o denominador enganar

ProblemaExemploEfeito
Denominador que mudaTaxa de erros sobre pedidos, num dia em que o tráfego duplicouA taxa desce sem nada ter melhorado
Denominador erradoAcidentes por país, em vez de por quilómetro percorridoCompara populações, não risco
Base pequena"Subiu 200%" — de 1 para 3Percentagem verdadeira, notícia inexistente
Base que exclui os casos mausSatisfação medida só entre quem terminou o processoSobrevivência: os insatisfeitos saíram antes de responder

7.3 Percentagem de quê: pontos e por cento

Uma taxa passa de 4% para 5%. Subiu 1 ponto percentual ou 25 por cento. As duas afirmações são verdadeiras e escolhe-se entre elas para dar a impressão desejada — é a manipulação mais banal que existe em relatórios, e sobrevive porque nenhuma das duas é mentira.

Norma defensável: diga sempre as duas, ou diga os números absolutos. "De 4% para 5% (+1 p.p., +25% em relativo)" não deixa margem, e ocupa uma linha.

7.4 Riscos: relativo, absoluto, e o número que decide

Caso · "Duplica o risco"

Um estudo relata que um hábito duplica o risco de uma doença. É verdade. Os números por trás:

  • Sem o hábito: 2 casos em 100 000
  • Com o hábito: 4 casos em 100 000

Risco relativo: 2× — a manchete. Risco absoluto acrescido: 2 casos em 100 000, ou 0,002 pontos percentuais. Para evitar um caso seria preciso que 50 000 pessoas mudassem de hábito.

A regra

O risco relativo é o número que se comunica; o risco absoluto é o número que decide. Uma afirmação de risco sem a base é incompleta, e a omissão da base é quase sempre deliberada — em saúde, em segurança e em publicidade a fundos de investimento.

7.5 Taxas ao longo do tempo

Exercício 7.1 — Os denominadores da casa

Liste as dez métricas em percentagem do seu painel e escreva, ao lado de cada uma, o denominador exato. Vai encontrar duas com o mesmo nome e denominadores diferentes, e pelo menos uma que ninguém sabe explicar.

Capítulo 08 Núcleo

O que a agregação destrói

Somar é uma operação que perde informação, e há um caso em que perde tanto que inverte a conclusão.

8.1 O paradoxo, com números

Dois tratamentos para pedras nos rins. Olhando ao total, o tratamento B parece melhor:

Tratamento ATratamento B
Total78% (273/350)83% (289/350)

Separando por tamanho da pedra:

Tratamento ATratamento B
Pedras pequenas93% (81/87)87% (234/270)
Pedras grandes73% (192/263)69% (55/80)
A inversão

A é melhor nas pedras pequenas, melhor nas pedras grandes, e pior no total. Não há erro de aritmética: o tratamento A foi aplicado sobretudo a casos difíceis (263 de 350 eram pedras grandes) e o B sobretudo a casos fáceis. O total mistura a eficácia do tratamento com a escolha de quem o recebeu.

Chama-se paradoxo de Simpson, e o incómodo é que não é uma curiosidade rara: acontece sempre que os grupos têm composições diferentes, o que é a norma em dados observados.

8.2 Qual dos números está certo?

A pergunta parece técnica e não é — não há resposta estatística. Depende do que se quer saber:

É por isso que este capítulo é a ponte para o volume IV: decidir se se deve separar por uma variável exige uma teoria sobre o que causa o quê. Nenhuma quantidade de dados resolve a questão sozinha, e agregar ou desagregar sem essa teoria é escolher a conclusão ao acaso.

8.3 Onde isto aparece no trabalho normal

SituaçãoA composição que engana
Um teste A/B "ganhou" no total e perdeu em todos os segmentosOs grupos receberam misturas diferentes de tráfego (Experimentação)
A satisfação média subiu e desceu em todos os produtosMudou o peso relativo dos produtos
O salário médio da empresa subiu sem ninguém ser aumentadoSaíram pessoas de salário baixo
A taxa de erro melhorou depois de uma alteraçãoMudou a mistura de tipos de pedido no mesmo período
Um país tem mortalidade maior com melhor saúdeA população é mais velha
O reflexo a instalar

Perante qualquer comparação de dois grupos: "as duas populações têm a mesma composição?". Se não têm — e em dados observados quase nunca têm — a diferença total mistura o efeito com a composição, e a única forma de os separar é desagregar ou ajustar.

8.4 A média que se parte, e a que não

Estes quatro pontos explicam a maioria das discrepâncias entre painéis diferentes da mesma empresa — e a discussão sobre "qual é o número certo" costuma ser, na verdade, uma discussão sobre qual das quatro regras foi violada.

Exercício 8.1 — Procure a inversão

Pegue numa comparação recente entre dois grupos (dois meses, dois canais, duas versões) e desagregue por duas ou três variáveis de composição. Se em alguma delas a conclusão se inverter, tem um Simpson — e a decisão que foi tomada a partir do total merece uma revisão.

Capítulo 09 Método aplicado · Demo

Uma métrica desmontada em seis camadas

Role devagar. Um número num relatório — «o tempo médio de resposta é 200 ms» — descascado até dizer o que se passa mesmo.

Camada 0 — o número

"200 ms, e melhorou 8%"

É assim que a maior parte das métricas chega a quem decide: um valor, uma comparação e uma seta colorida. O formato é convidativo e não tem sítio nenhum para a dúvida — não diz quantas observações, nem que forma têm, nem o que ficou de fora.

As cinco camadas seguintes são as perguntas que este capítulo inteiro treina a fazer, aplicadas por ordem a um caso só.

Camada 1 — desenhar

A média cai num vale onde não há dados

Cinco segundos de histograma (cap. 2) mostram uma montanha junto aos 60 ms e uma cauda longa à direita. A média, 200 ms, cai entre as duas, numa zona onde quase não há observações — é o centro de gravidade, e não é o típico de nada.

O primeiro diagnóstico está feito com uma divisão: média a dividir por mediana = 2,5. Qualquer valor muito acima de 1 diz que há cauda, e que a média sozinha não deve ser reportada.

Camada 2 — percentis

Um por cento dos pedidos, dezoito por cento das páginas

Os percentis (cap. 5) dão a forma da cauda: metade dos pedidos responde em 80 ms, mas um em cada cem passa dos três segundos. O erro seguinte seria descartar isso por ser "só 1%".

A conta que desfaz o erro é a do capítulo 1: uma página faz vinte pedidos, portanto 18% das páginas apanham pelo menos um lento. A unidade de contagem — pedidos — não é a unidade de interesse — pessoas a olhar para um ecrã.

Camada 3 — a mistura

Duas corcundas, e a variável que as separa

A forma tem duas modas, o que é o sinal mais informativo de um histograma (cap. 4): quase sempre significa duas populações misturadas. Testar candidatos a variável separadora — região, tipo de conta, dispositivo — leva minutos, e a resposta aqui é a cache.

São dois regimes distintos, com medianas de 55 ms e 890 ms. Nenhuma otimização orientada à média de 200 ms serve algum deles, e é por isso que este passo muda o trabalho e não só o relatório.

Camada 4 — o denominador

A métrica melhorou porque os piores casos saíram da amostra

A última pergunta é a do capítulo 7: o que está no denominador? A métrica conta apenas pedidos que terminaram — os que expiraram aos cinco segundos e os que deram erro não entram.

E os timeouts passaram de 0,4% para 1,9%. Os pedidos mais lentos deixaram de terminar e, ao deixarem de terminar, deixaram de contar. A média melhorou 8% exatamente porque o sistema piorou — a seta verde apontava para o lado errado, e nenhuma das camadas anteriores, sozinha, teria apanhado isto.

Camada 5 — reportar

Uma linha honesta ocupa seis

O painel final separa os dois regimes, dá dois percentis a cada um, mostra a fração de cada um, e — o mais importante — mostra as exclusões como métrica de primeira classe: timeouts e taxa de cache, ambos com a variação.

Repare que a causa aparece sem ninguém a procurar: a taxa de cache caiu de 91% para 78%, portanto mais pedidos foram para o caminho lento, portanto mais expiraram. A descrição honesta produziu o diagnóstico — e nenhuma inferência foi feita, nenhum teste foi corrido, nenhum valor-p apareceu. É esse o argumento do volume I inteiro.

Exercício 9.1 — As seis camadas, na sua métrica

Aplique as seis camadas à métrica mais importante do seu painel, por esta ordem. Pare quando encontrar a primeira surpresa — e é raro chegar à camada 4 sem encontrar nenhuma.

Capítulo 10 Prática

Comparar sem inferir

Antes de qualquer teste estatístico há uma pergunta mais barata: esta diferença é maior do que a que aparece quando nada muda?

10.1 A linha de base do acaso

A pergunta que dispensa metade dos testes

Antes de comparar A com B, compare A com A: olhe para a variação da métrica ao longo de períodos em que nada mudou. Se a conversão oscila entre 3,0% e 3,6% de semana para semana por hábito, uma subida para 3,4% não é notícia — e isso soube-se sem nenhum teste.

É a técnica mais subestimada da análise aplicada: desenhe a série histórica e veja a amplitude normal. Muitas discussões sobre significância desaparecem em dois minutos.

10.2 O gráfico que responde por si

10.3 Regressão à média, sem estatística

Caso · A formação que resultou nos piores

Uma empresa identificou as dez lojas com pior desempenho num trimestre e deu-lhes formação intensiva. No trimestre seguinte, nove das dez melhoraram. A formação foi considerada um sucesso e alargada.

O problema: as dez lojas foram escolhidas por terem tido o pior resultado, e um resultado extremo tem sempre duas componentes — o desempenho real e a má sorte daquele trimestre. A má sorte não se repete por definição, portanto o trimestre seguinte seria melhor de qualquer forma.

Verificação barata: as dez melhores lojas, sem formação nenhuma, pioraram no trimestre seguinte. Mesmo mecanismo, sentido contrário.

A regra

Sempre que um grupo é selecionado por ser extremo, espere melhoria sem causa. É o motor de metade das crenças em intervenções que não funcionam — em gestão, em desporto, em saúde e em educação. A defesa não é estatística: é não escolher o grupo pelo valor extremo, ou ter um grupo de comparação escolhido da mesma maneira.

10.4 O que é preciso antes de comparar

VerificarPorque
Mesmo período do anoSazonalidade é a explicação alternativa mais comum e a mais fácil de excluir
Mesma composiçãoSimpson (cap. 8). Se as populações diferem, a diferença mistura efeito com composição
Mesma definição da métricaUma alteração no tracking produz saltos que parecem reais
Mesmo denominadorCap. 7
Nenhum grupo selecionado por ser extremoRegressão à média (10.3)
Dados completos no período recenteOs últimos dias costumam estar incompletos e fazem sempre a métrica "cair"

Se qualquer destas falhar, nenhum teste estatístico salva a comparação — o teste responde a "esta diferença é maior do que o acaso?", e não a "estas duas coisas são comparáveis?". A segunda pergunta vem primeiro e não tem fórmula.

10.5 A ponte para o volume II

Quando a comparação é legítima e a diferença não se explica pela variação histórica, a pergunta passa a ser quantitativa: que tamanho de diferença é distinguível do acaso, com esta quantidade de dados? É essa a matéria do volume seguinte — e chega-se lá com metade dos casos já resolvidos por descrição.

Exercício 10.1 — A amplitude normal

Para a métrica que a sua equipa acompanha, desenhe os últimos 24 períodos e escreva a amplitude típica de variação. Fixe-a. Da próxima vez que alguém trouxer uma variação, compare com esse número antes de qualquer outra coisa.

Capítulo 11 Crítica

Como os dados chegaram até si

Toda a descrição descreve a amostra que existe, não o mundo. A diferença entre as duas coisas é decidida antes de o primeiro número ser calculado.

11.1 Os aviões que voltaram

Na Segunda Guerra Mundial, analisou-se onde os bombardeiros regressados tinham mais buracos de bala, para reforçar o blindado nesses sítios. Abraham Wald apontou o erro: os aviões analisados eram os que tinham voltado. Os buracos que se viam eram, por definição, em sítios onde um avião podia ser atingido e ainda assim regressar. O blindado devia ir para onde não havia buracos — os aviões atingidos ali não estavam na amostra.

A pergunta que generaliza

O que é que não está aqui, e porquê? Não é uma pergunta filosófica: tem quase sempre uma resposta concreta e verificável, e é a mais barata de todas as verificações de qualidade.

11.2 O mesmo erro, em roupa moderna

AmostraQuem faltaEfeito
Respostas ao inquérito de satisfaçãoQuem já desistiu do produtoSatisfação sistematicamente sobrestimada
Registos de sessõesQuem não conseguiu sequer entrarA pior experiência não é medida
Currículos de quem foi contratadoTodos os outros"Os melhores têm X" — e talvez metade dos rejeitados também tivesse
Empresas de sucesso num livro de gestãoAs que fizeram igual e faliramReceitas que descrevem sobreviventes, não causas
Avaliações de produtoQuem ficou indiferenteDistribuição em U: só muito satisfeitos e muito irritados escrevem
Dados de tracking do siteQuem bloqueia scriptsUm segmento inteiro, com perfil próprio, invisível

11.3 Os buracos que se veem e os que não

A verificação de duas linhas que apanha quase tudo

Conte, em cada passo do tratamento, quantas linhas entraram e quantas saíram. Uma junção que passa de 50 000 para 48 200 linhas perdeu 1 800 pela calada, e ninguém repara se não for contado. É a prática mais rentável em toda a preparação de dados, e ocupa duas linhas de código.

11.4 Ausências que não são aleatórias

A questão não é quantos faltam, mas se faltam de forma sistemática. Se os rendimentos em falta são sobretudo dos mais ricos, ignorar as linhas incompletas enviesa tudo o que se calcule a seguir. E ausências sistemáticas são a norma, não a exceção — as pessoas não respondem precisamente às perguntas que lhes custam.

Preencher espaços vazios com a média é a solução mais popular e das piores: reduz artificialmente a variação (todos os casos preenchidos ficam iguais), o que faz qualquer análise posterior parecer mais precisa do que é. Se for para preencher, diga-o e mostre o resultado com e sem preenchimento.

11.5 Quem definiu o que se mede

Nenhum dado é neutro: alguém decidiu que aquilo valia a pena registar, em que categorias, e com que granularidade. Essas decisões, tomadas anos antes, limitam o que hoje é possível perguntar.

A última é a mais séria e a mais invisível: analisa-se aquilo que existe, e o que existe determina que perguntas parecem fazíveis. Sobre ir buscar o que não está registado, veja Pesquisa com Utilizadores.

Exercício 11.1 — Os que não estão

Para o seu conjunto de dados principal, escreva uma lista de quem ou do que não está lá e porquê. Depois estime a dimensão de cada ausência. Se não conseguir estimar nenhuma, essa é a primeira coisa a medir.

Capítulo 12 Ofício

Uma rotina de dez minutos, e para onde ir

Tudo o que está nesta apostila cabe numa lista curta de verificações que se faz antes de qualquer análise. É esse o resultado prático.

12.1 A rotina

1 · Leia vinte linhas em bruto. Primeiras, últimas, e vinte ao acaso. Apanha formatos, códigos disfarçados e linhas de total dentro dos dados.

2 · Conte as linhas em cada passo. Entraram quantas, saíram quantas. Qualquer perda inexplicada pára tudo o resto.

3 · Desenhe o histograma. Com duas ou três larguras. Procure: assimetria, duas corcundas, pico em zero, corte abrupto.

4 · Média a dividir por mediana. Muito acima de 1 significa cauda — e que a média não deve ir sozinha para lado nenhum.

5 · Escreva o denominador. Por extenso, para cada taxa. "Dividido por quem, exatamente?"

6 · Pergunte quem falta. Quem não está na amostra e porquê.

7 · Desagregue por uma variável de composição. Se a conclusão mudar, era composição e não efeito.

8 · Compare com a variação histórica antes de chamar diferença a uma diferença.

O que esta lista tem de bom

Nenhum destes oito passos exige estatística inferencial, ferramentas especiais ou mais dados do que já tem. Levam dez minutos e apanham a maior parte dos erros que depois seriam apresentados com um valor-p a fingir de garantia. Um erro de descrição não é corrigido por inferência — é amplificado por ela.

12.2 Cinco frases para eliminar dos relatórios

Não escrevaEscreva
"A média é X.""Mediana X, p90 Y, com N observações."
"Subiu 25%.""De 4% para 5% (+1 p.p., +25% relativo)."
"Os utilizadores preferem…""Dos 340 que responderam, 61%…"
"Removemos os outliers.""Excluímos 12 registos com valores impossíveis (lista em anexo); com e sem, o resultado é…"
"A taxa de conversão é 4%.""4% das sessões com produto no carrinho (denominador: 12 400 sessões)."

12.3 O que vem nos volumes seguintes

II · Inferência

Da amostra à conclusão: variação amostral, erro-padrão, o que um intervalo de confiança afirma de facto, valor-p e o que ele não é, poder, comparações múltiplas, e porque tantos resultados publicados não se replicam.

III · Regressão e Modelos

Regressão como ferramenta para explicar, ler um coeficiente sem o sobre-interpretar, interações, pressupostos e o que os quebra, sobreajuste e validação.

IV · Causalidade

Do que correlaciona ao que causa: confundimento, colisores, desenhar suposições em vez de as esconder, e o que fazer quando não se pode aleatorizar.

E o que já existe

Para probabilidade subjetiva e decisão: Previsão Calibrada, Decisão sob Incerteza. Para estimar sem dados: Raciocínio Quantitativo.

12.4 Onde aplicar isto amanhã

Exercício 12.1 — A rotina, uma vez

Aplique os oito passos de 12.1 ao próximo pedido de análise que receber, antes de escrever qualquer conclusão. Cronometre. Se demorar mais de vinte minutos, é porque encontrou alguma coisa — e é esse o ponto.