Capítulo 01 Fundamento
O que muda quando o agente escreve o produto
Skills não tornam o agente melhor a programar. Tornam-no melhor a programar como se programa aqui — e é aí que está a diferença que se sente.
1.1 A distinção que organiza este volume
Um modelo moderno sabe escrever React, sabe o que é uma migração de base de dados e sabe testar. Uma skill que lhe ensine isso não acrescenta nada — é o erro 4 do volume I, cap. 10.
O que ele não sabe é: que a vossa camada de dados não usa ORM, que os componentes vivem em src/ui e não em components, que há um teste de acessibilidade obrigatório antes de qualquer PR, e que a rota /legacy não se toca porque três clientes grandes dependem dela.
É esse o material de uma skill de produto — e é conhecimento que não está em documentação nenhuma, só nas cabeças de quem lá trabalha.
1.2 Os quatro tipos de skill que aparecem num produto
| Tipo | Faz | Exemplo |
|---|---|---|
| Convenção | Codifica como se faz aqui | Estrutura de pastas, nomenclatura, formato de commit |
| Procedimento | Uma sequência com passos e verificações | Adicionar uma rota nova, publicar uma versão |
| Capacidade | Traz scripts que fazem algo determinista | Testar no navegador, validar um esquema, gerar tipos |
| Referência | Documentação que o modelo não tem actualizada | API interna, biblioteca recente, migração de versão |
Os dois primeiros são Markdown puro e são os que mais rendem. Os dois últimos justificam scripts/ e references/.
1.3 O tipo «referência» merece uma nota
Um modelo tem uma data a partir da qual não sabe nada. Bibliotecas mudam, APIs mudam, e o modelo continua a escrever com confiança a versão que conhecia.
Uma skill de referência resolve isto de forma directa: põe a documentação actual em references/ e instrui o agente a lê-la antes de escrever. A própria Anthropic publica uma assim para a sua API — e o detalhe revelador está na descrição dessa skill: instrui a ler antes de abrir o ficheiro-alvo, e a não saltar o passo porque «parece uma linha só».
É o padrão a copiar: a instrução de quando ler é tão importante como o conteúdo, porque a tendência por omissão é escrever de memória.
1.4 O que este volume é
Volume III de seis. Skills para sites, aplicações, software e MCP. Pressupõe o volume I (o formato) e o volume II (as ferramentas).
Não ensina a programar nem a construir servidores MCP — para isso, MCP, Aceleração de Código com IA, Vibecoding, Arquitetura & System Design e Testing & Automação. Ensina a codificar essas decisões em skills, para não serem repetidas todos os dias.
Escreva cinco coisas sobre o seu produto que não estão em documentação nenhuma e que um programador novo levaria semanas a descobrir. Essas cinco são as suas primeiras skills de convenção.
Capítulo 02 Prática
Skills para sites: da página ao sistema
Onde as skills rendem mais em trabalho de web, e a razão pela qual as de design visual são as mais difíceis de acertar.
2.1 O que codificar
- Estrutura e nomenclatura. Onde vivem páginas, componentes, estilos e recursos. É a skill mais aborrecida e a que evita mais reorganizações.
- Tokens de design. As cores, escalas e espaçamentos permitidos — com a proibição explícita de introduzir valores fora da lista (é a regra de Cor, secção 4.7, transformada em instrução).
- Acessibilidade mínima. O que se verifica antes de considerar uma página feita: contraste, foco visível, texto alternativo, ordem de tabulação (Acessibilidade & WCAG).
- Desempenho. O que nunca se faz: importar a biblioteca inteira, imagens sem dimensões, tipos de letra sem fallback.
- Microcópia. Rótulos de botão em verbo mais objecto, mensagens de erro com as três partes (UX Writing).
2.2 A skill de design visual, e porque é a mais difícil
Um agente sem direcção produz o mesmo site que toda a gente: o mesmo espaçamento, a mesma sombra suave, o mesmo azul. Não é falta de capacidade — é a média do que existe (O Futuro da Criação Visual, cap. 5.2).
A Anthropic publica uma skill dedicada exactamente a isto — frontend-design — cuja descrição diz que ajuda em «direcção estética, tipografia e escolhas que não se leiam como predefinições de modelo». É a admissão explícita de que o problema existe.
E é a mais difícil de escrever porque o que a resolve é critério, não regra. «Use espaçamento generoso» não instrui nada. «O espaçamento vertical entre secções é 96px; entre elementos de uma secção é 24px; nunca há um terceiro valor» instrui.
2.3 A regra que vale para todas as skills de front-end
| Não escreva | Escreva |
|---|---|
| «Use uma paleta harmoniosa» | «Use apenas os tokens de references/TOKENS.md. Nunca introduza um hexadecimal novo» |
| «Garanta acessibilidade» | «Antes de terminar, corra scripts/a11y.sh. Não entregue com falhas de nível A ou AA» |
| «Componentes bem organizados» | «Um componente por ficheiro, em src/ui/<nome>/, com index.ts, styles.css e test.tsx» |
| «Escreva CSS moderno» | «Use apenas grid e flex. Nunca float, nunca posições absolutas fora de ui/overlay» |
2.4 Artefactos e protótipos
Há uma categoria de skill própria para construir peças de interface completas de uma vez — páginas de demonstração, protótipos, artefactos com estado e navegação. A skill oficial web-artifacts-builder serve esse caso, e a sua descrição faz uma delimitação que vale a pena copiar: «para artefactos complexos que exijam gestão de estado, rotas ou componentes — não para HTML simples de ficheiro único».
É a delimitação do volume I, cap. 4.4 aplicada bem: sem ela, a skill dispararia em qualquer pedido de página e traria maquinaria a mais para uma tarefa simples.
Escreva uma skill que contenha apenas os tokens de cor, tipografia e espaçamento do seu produto, com a proibição de introduzir valores novos. É a skill de front-end com melhor retorno e a mais fácil de escrever — e apanha a maior parte da deriva visual.
Capítulo 03 Prática
Skills para aplicações e software
Rotas, estado, camadas, migrações. É onde as skills de procedimento — as que têm passos e verificações — valem mais do que as de convenção.
3.1 As skills de procedimento
Uma skill de procedimento é uma sequência com verificação em cada passo. São as mais valiosas em código de aplicação porque codificam a ordem, que é o que se esquece:
# Adicionar uma rota nova
1. Criar o ficheiro em `src/routes/<nome>/`
2. Registar em `src/routes/index.ts` — ordem alfabética
3. Acrescentar o teste de rota em `tests/routes/`
4. Se a rota exigir autenticação, acrescentar ao mapa em `auth/rotas.ts`
Esquecer este passo é a causa nº 1 de rotas expostas.
5. Correr `scripts/verificar-rotas.sh` — falha se alguma rota
não estiver no mapa de autenticação nem na lista de públicas
6. Só então fazer commit
Sem o script, é uma lista que se pode esquecer. Com ele, a omissão do passo 4 é detectada automaticamente — e o agente corrige sozinho porque o erro diz o que falta.
É a regra do volume I, cap. 6.1: o que é determinista vai para script. E é a razão pela qual esta skill funciona e uma lista de boas práticas não.
3.2 As migrações e o que não se desfaz
É o caso onde a skill mais previne dano, porque o erro é irreversível:
- Expandir, migrar, contrair — nunca uma alteração que exija parar tudo (Código Legado, cap. 7).
- Nunca renomear uma coluna. A instrução tem de ser explícita, porque a operação parece simples e o modelo vai propô-la.
- Lotes pequenos, retomáveis, idempotentes.
- Verificar antes: quantas linhas violam a regra que se vai impor?
3.3 As skills de referência que evitam código desactualizado
O agente escreve código para a versão anterior da biblioteca — com confiança, sem avisar. Não é alucinação: é a versão que ele conhecia.
A correção é uma skill de referência com a instrução de leitura obrigatória antes de escrever:
description: Referência da nossa API interna e da versão da
biblioteca X que usamos. LEIA references/API.md ANTES de escrever
qualquer chamada — não presuma pela memória, mesmo que pareça
uma linha só.
A frase «mesmo que pareça uma linha só» não é retórica: é exactamente nos casos triviais que o passo é saltado, e é aí que o erro passa despercebido.
3.4 Skills por camada, não por tudo
| Camada | Skill própria | Porquê separada |
|---|---|---|
| Interface | Tokens, componentes, acessibilidade | Quem trabalha aqui não precisa das regras de base de dados |
| API | Contratos, versões, idempotência | Regras muito específicas (API Design) |
| Dados | Migrações, esquema, consultas | É onde o erro é irreversível |
| Infraestrutura | Publicação, reversão, observabilidade | Só é preciso ao publicar |
Quatro skills focadas batem uma skill grande, por três razões: activam separadamente (menos contexto), delimitam-se melhor (menos falsos positivos) e podem ter donos diferentes.
Identifique o passo que a sua equipa mais esquece ao acrescentar algo novo. Escreva o procedimento com esse passo e um script que falhe quando ele for omitido. É a skill que mais incidentes evita.
Capítulo 04 Núcleo
Skills que verificam o que foi construído
É a categoria com maior retorno de todo este volume, e a razão é a assimetria que atravessa a série: gerar barateou, verificar não.
4.1 A assimetria, aplicada a produto
Um agente escreve uma página em minutos. Saber se ela funciona — se abre, se os botões respondem, se não partiu outra coisa — continua a custar o mesmo. É o argumento de O Futuro da Engenharia de Software, e aqui tem uma consequência directa:
A skill mais valiosa que pode escrever não é a que ensina a construir. É a que ensina a verificar.
4.2 O que uma skill de verificação traz
A skill oficial webapp-testing é o modelo do género: usa Playwright para interagir com a aplicação local, verificar funcionalidade, depurar comportamento, capturar imagens do ecrã e ler os registos do navegador. A parte que importa não é a ferramenta — é o que se dá ao agente:
| Capacidade | O que resolve |
|---|---|
| Interagir com a aplicação a correr | O agente deixa de supor que funciona: clica e vê |
| Capturar o ecrã | Verificação visual — o único modo de apanhar um layout partido |
| Ler os registos do navegador | Erros de JavaScript que não aparecem em teste nenhum |
| Depurar comportamento | Fechar o ciclo: escreve, corre, vê o erro, corrige |
Sem verificação, o agente trabalha às cegas: escreve, entrega e espera que alguém teste. Com verificação, fecha o ciclo sozinho — e a taxa de sucesso em tarefas de vários passos sobe muito, porque o erro é apanhado no passo em que acontece em vez de se compor com os seguintes (é a aritmética de O Futuro da IA, cap. 4).
4.3 As quatro verificações que valem a pena empacotar
- Compila e os testes passam. O mínimo, e frequentemente o único que existe.
- A página abre e não há erros na consola. Apanha uma classe inteira que os testes unitários não veem.
- Contraste e foco. Automatizável, e o resultado é binário (Acessibilidade & WCAG).
- Comparação visual com a versão anterior. A mais cara de montar e a que apanha as regressões que ninguém procurava.
4.4 A instrução que fecha o ciclo
# no SKILL.md de qualquer skill de construção
## Antes de considerar terminado
1. Correr `scripts/verificar.sh` (compila, testes, lint)
2. Abrir a página com a skill `webapp-testing` e confirmar:
- carrega sem erros na consola
- o fluxo principal funciona do início ao fim
3. Se qualquer passo falhar, corrigir e repetir — não entregar
com «deve estar bem».
É a instrução mais barata e mais eficaz deste volume. Três linhas, e transformam um agente que entrega e espera num que entrega verificado.
Pegue numa skill de construção que já tenha e acrescente a secção de 4.4. Corra dez tarefas antes e dez depois, e conte quantas entregas voltaram com problemas. É a comparação com e sem do volume I, cap. 8.
Capítulo 05 Núcleo
Skills para MCP: construir a ponte
Uma skill dá conhecimento e um MCP dá acesso — mas construir um servidor MCP é, ele próprio, uma tarefa que beneficia enormemente de uma skill.
5.1 A relação entre os dois, outra vez e com mais detalhe
O volume I estabeleceu a distinção: conhecimento contra acesso. Em produto digital ela aparece em três configurações que vale a pena separar:
| Configuração | O que é | Quando |
|---|---|---|
| Só skill | Instruções sobre como fazer algo com o que já existe | Convenções, procedimentos, referência |
| Só MCP | Acesso a um sistema, sem instruções de uso | Raro, e costuma ser um erro: o agente sabe chegar lá e não sabe como se usa aqui |
| MCP + skill | Acesso e as convenções de uso | O caso normal, e o que produz bons resultados |
| Skill que constrói MCP | Uma skill cujo produto é um servidor | Quando a equipa vai criar vários (5.2) |
Instalar um servidor MCP e esperar bons resultados. O servidor expõe operações; não diz que campos são obrigatórios na vossa casa, como se classifica a gravidade, ou o que nunca vai no título.
O resultado é tecnicamente válido e culturalmente errado. Cada servidor MCP que instalar merece uma skill pequena ao lado, com as convenções de uso. É a skill mais desprezada e a que mais melhora a qualidade percebida do agente.
5.2 A skill que constrói servidores
A Anthropic publica mcp-builder, descrita como guia para criar servidores MCP de qualidade, com ferramentas bem desenhadas, em Python (FastMCP) ou Node/TypeScript. É um exemplo do tipo «procedimento» aplicado a uma tarefa de arquitectura.
O que a torna útil não é saber a sintaxe — o modelo sabe. É codificar as decisões de desenho que separam um servidor MCP bom de um mau, e essas são convenções, não código:
- Granularidade das ferramentas. Uma ferramenta que faz tudo é ilegível para o agente; vinte ferramentas minúsculas enchem o contexto. O equilíbrio é uma decisão de desenho.
- Descrições que dizem quando usar. É o mesmo problema da
descriptionde uma skill (volume I, cap. 4) — as ferramentas de um MCP escolhem-se pelo mesmo mecanismo. - Erros que o agente consegue usar. «Erro 500» não permite corrigir; «falta o campo
prioridade, valores válidos: baixa, média, alta» permite. - Saída compacta. Uma ferramenta que devolve 4000 linhas de JSON gasta o contexto que devia servir para pensar.
5.3 A skill de convenções de um MCP que já existe
É o padrão mais rentável desta secção, e escreve-se em vinte linhas:
---
name: bilhetes-convencoes
description: Como se escreve um bilhete nesta equipa — campos obrigatórios,
classificação de gravidade e formato do título. Use sempre que criar,
editar ou classificar um bilhete através do servidor de bilhetes.
---
# Convenções de bilhetes
## Obrigatório em todos
- Título: verbo no infinitivo + objecto. Máx. 60 caracteres. Nunca «bug em X».
- Componente: um dos de `references/COMPONENTES.md`. Nunca inventar.
- Gravidade: ver a tabela abaixo — não é uma opinião, é uma tabela.
## Gravidade
| Nível | Critério objectivo |
| P1 | Serviço indisponível, ou perda de dados |
| P2 | Funcionalidade principal partida, sem alternativa |
| P3 | Partido, com alternativa conhecida |
| P4 | Incómodo, melhoria |
## Nunca
- Nunca criar um bilhete sem componente.
- Nunca pôr o nome de um cliente no título (vai para o corpo).
Vinte linhas, e o agente passa de produzir bilhetes válidos a produzir bilhetes que a equipa aceita. É a diferença entre acesso e conhecimento, num exemplo.
Para cada servidor MCP que a sua equipa usa, escreva a skill de convenções correspondente. Se não usa nenhum, escreva a de um sistema que use por outra via — as convenções são as mesmas. Ver MCP para o outro lado.
Capítulo 06 Prática
As skills de repositório, que são as que mais rendem
Não são vistosas e são as que mudam mais o dia a dia. Quatro skills que qualquer projeto beneficia de ter.
6.1 As quatro
1 · Orientação do repositório
Onde vive o quê, o que não se toca, e a razão. É a skill de onboarding, e serve tanto ao agente como a quem entra na equipa.
2 · Formato de commit e PR
Com validação por script. É a do exercício do volume I, cap. 9.
3 · Antes de entregar
A lista de verificação: compila, testes, lint, acessibilidade, e o passo específico do vosso projeto que toda a gente esquece.
4 · Zonas proibidas
O código que não se toca, e porquê. É a que evita mais estragos e a que menos gente escreve.
6.2 A quarta merece detalhe
Um agente competente vê código estranho e propõe limpá-lo. É exactamente a alteração que causa o incidente — porque aquela condição estranha protege um cliente grande, e não há nada no código que o diga (Código Legado, cap. 11.2).
# Zonas de cuidado
## `src/legacy/faturacao/` — NÃO REFACTORIZAR
Três clientes empresariais dependem do formato exacto de saída.
Alterações aqui exigem aviso prévio e teste com dados reais.
Se parecer que há código morto, não está morto: ver ficha #4471.
## `src/pagamentos/` — só com testes de caracterização
Nunca alterar sem cobrir primeiro. Nunca repetir uma operação
automaticamente: não é idempotente.
## `config/regioes.json` — gerado
Editar a fonte em `scripts/gerar-regioes.py`, nunca o ficheiro.
Cada bloco destes vem de um incidente real, e é a forma mais barata de garantir que não se repete.
6.3 A skill de orientação, e o efeito secundário que compensa
Uma skill que descreve o repositório — onde estão as coisas, como se corre localmente, o que é gerado e o que é escrito à mão — é simultaneamente documentação para pessoas.
É o argumento do volume II, cap. 10.4, e em produto tem um valor extra: é a única documentação interna cujo desactualizar-se se nota imediatamente, porque o agente começa a errar. Documentação que ninguém lê apodrece em silêncio; esta protesta.
Reúna a equipa vinte minutos e liste o código que ninguém deve tocar sem avisar, com a razão de cada um. Escreva-o como skill. É provavelmente o melhor retorno por minuto investido de toda esta série.
Capítulo 07 Prática
Compor: cadeias, roteadores e skills que chamam skills
Um produto real precisa de várias skills a trabalhar juntas. Há dois padrões que funcionam e um que parece boa ideia e não é.
7.1 O padrão da cadeia
Uma skill de procedimento que nomeia outras skills nos seus passos:
## Publicar uma versão
1. Verificar com a skill `antes-de-entregar`
2. Correr os testes de navegador com `webapp-testing`
3. Gerar as notas de versão com `notas-de-versao`
4. Só então correr `scripts/publicar.sh`
Funciona bem porque cada skill continua a ser útil sozinha e a cadeia só acrescenta ordem. É o padrão a preferir.
7.2 O padrão do roteador
Com muitas skills, a activação degrada-se (volume II, cap. 8.4). O padrão do roteador resolve-o: uma skill de entrada, com descrição larga, que lê o pedido e indica quais as skills específicas a carregar.
É a arquitectura que uma colecção grande de skills de jogos usa para cobrir dez motores diferentes sem encher a listagem — em vez de sessenta e oito descrições permanentes em contexto, há uma que encaminha.
Quando compensa: mais de vinte skills no mesmo domínio. Quando não: abaixo disso, acrescenta um salto sem ganho.
7.3 O padrão que parece boa ideia e não é
A tentação é juntar as convenções todas num SKILL.md de mil linhas — «assim está tudo num sítio». Três problemas, todos previsíveis:
Um: carrega inteira sempre que activa, mesmo para uma tarefa pequena. Dois: a descrição fica larga e dispara em tudo. Três: o agente lê e segue metade — instruções demais competem entre si (volume I, cap. 10, falha 5).
Quatro skills de cem linhas batem uma de quatrocentas, sempre, por ativarem separadamente e por se poderem delimitar melhor.
7.4 Como delimitar skills vizinhas
| Skill | A linha na descrição que evita o conflito |
|---|---|
criar-rota | «Não use para alterar rotas existentes — para isso, alterar-rota.» |
tokens-visuais | «Não use para lógica de componente, só para valores de cor, tipo e espaço.» |
migracao-bd | «Use apenas para alterações de esquema. Para consultas, consultas-bd.» |
Custa uma linha por skill e resolve a maior parte dos falsos positivos entre skills do mesmo domínio.
Pegue na sua skill mais longa e parta-a em duas ou três, cada uma com a linha de delimitação. Meça a activação antes e depois com os dez pedidos do volume I, cap. 4.5.
Capítulo 08 Crítica
Onde as skills falham em produto
Seis modos de falha específicos deste domínio, para lá dos oito gerais do volume I.
8.1 Os seis
| Falha | Sintoma | Correção |
|---|---|---|
| 1 · Convenção desactualizada | O agente segue uma regra que a equipa abandonou há meses — com confiança | Dono nomeado e revisão trimestral. Uma skill errada é pior que nenhuma |
| 2 · Conhecimento geral disfarçado | Dispara e não muda nada | O teste do corte (volume I, cap. 10.3) |
| 3 · Sem verificação | Entrega código que não corre | A secção «antes de considerar terminado» (cap. 4.4) |
| 4 · Regras contraditórias entre skills | Comportamento muda conforme a que dispara | Uma skill manda em cada assunto; delimitar (cap. 7.4) |
| 5 · Depende de ambiente | Funciona local, falha em CI ou na nuvem | compatibility, e scripts autocontidos |
| 6 · Skill que autoriza demais | allowed-tools largo de mais em código de produção | Aprovar o mínimo. Nunca comandos destrutivos |
8.2 A primeira é a mais perigosa, e é silenciosa
A equipa decidiu em março passar a usar outra abordagem. Ninguém actualizou a skill. Seis meses depois, o agente continua a escrever código na convenção antiga, e a produzi-lo com toda a confiança — porque uma skill é uma instrução, não uma sugestão.
É pior do que não ter skill nenhuma: sem ela, o agente seguiria o padrão do código à volta e acertaria. Com ela, contradiz activamente o que a equipa faz.
A defesa é de processo, não técnica: quando se muda uma convenção, a alteração à skill vai no mesmo pull request. Se ficar para depois, fica para nunca.
8.3 A sexta, e o limite de confiança
O campo allowed-tools pré-aprova ferramentas. É cómodo e é a única parte de uma skill que reduz as barreiras de segurança. Em código de produção:
- Aprove o mínimo —
Bash(git status)e nãoBash(git:*). - Nunca comandos destrutivos — nada que apague, publique ou envie sem aprovação humana.
- Nunca numa skill de terceiros sem ler o que ela faz (volume I, cap. 11).
- Reveja este campo especificamente em cada pull request que toque numa skill.
8.4 O teste de sanidade trimestral
Para cada skill do repositório: 1) a convenção que codifica ainda vale? 2) disparou alguma vez neste trimestre? 3) tem dono? 4) os casos de teste passam?
Um «não» em qualquer das quatro é uma acção: actualizar, apagar, atribuir ou corrigir. Apagar é resposta legítima e é a mais subutilizada.
Corra 8.4 nas skills do seu repositório e conte quantas falham pelo menos uma. É frequente descobrir que um terço não disparou nunca — e essas estão a pagar contexto sem devolver nada.
Capítulo 09 Método aplicado · Demo
Uma funcionalidade, do pedido à entrega
Role devagar. Um pedido banal — «acrescenta uma página de definições» — com e sem skills, lado a lado.
Código competente, e errado para esta casa
Sem skills, o agente produz algo perfeitamente razoável: um componente bem escrito, cores comuns, uma rota que funciona. Nada disto é um erro de programação — é um erro de convenção, e é invisível para quem não conhece o projeto.
É a distinção do capítulo 1.1: o modelo tem a competência geral e não tem a convenção local. As quatro skills seguintes não o tornam melhor programador. Dizem-lhe onde está.
Doze linhas, e a estrutura deixa de ser adivinhada
Onde vivem os componentes, com que ficheiros, e — a parte que quase ninguém escreve — que src/components/ está congelado. Sem essa segunda linha, o agente vê a pasta antiga, conclui que é ali, e acerta no sítio errado (cap. 6.2).
A proibição é que funciona, não o conselho
«Use apenas estes valores; nunca introduza um hexadecimal novo» é verificável. «Use uma paleta harmoniosa» não é (cap. 2.3).
E repare no efeito secundário: o espaçamento passa a ter dois valores em vez de sete. É a deriva visual a parar — e é o problema que a apostila de Cor descreve, resolvido do lado da execução.
O passo que se esquece passa a ser um erro que falha
O passo 4 — registar a rota no mapa de autenticação — é o que toda a gente esquece, e o resultado é uma rota exposta. A skill enumera-o; o script do passo 5 torna a omissão detectável (cap. 3.1).
É a diferença entre uma lista que se pode ignorar e um procedimento com controlo. E o agente corrige sozinho, porque o erro diz o que falta.
Um erro real, apanhado antes de sair
À primeira execução há um erro na consola que nenhum teste unitário apanharia. O agente vê-o, corrige e volta a correr — o ciclo fecha-se sem intervenção humana (cap. 4).
Sem esta skill, aquele erro chegava a quem revia o pull request, e custava uma ida e volta completa. É a skill com melhor retorno das quatro, e é a que menos gente escreve.
Cerca de 120 linhas de Markdown e um script de 12
Escritas uma vez, aplicadas em todas as tarefas seguintes, por toda a equipa, e revistas como código.
E vale a pena reparar no que não mudou: a competência do modelo é exactamente a mesma nas duas colunas. Ele já sabia programar. O que faltava era o contexto — e o contexto cabe em 120 linhas.
É a tese deste volume inteiro, e a razão pela qual as skills de convenção rendem mais que as sofisticadas: o que separa código bom de código aceite não é técnica, é conhecimento local.
Peça ao agente uma tarefa pequena sem skills e anote tudo o que teria de corrigir na revisão. Cada correcção é uma linha de skill por escrever. Escreva-as e repita o pedido.
Capítulo 10 Operação
Skills no fluxo de trabalho da equipa
Onde encaixam num processo real: revisão, integração contínua, e a decisão de quem escreve o quê.
10.1 Nos três momentos
| Momento | Skills que valem |
|---|---|
| Ao escrever | Orientação, tokens, procedimentos, referência |
| Ao rever | Uma skill de revisão com os critérios da equipa — o que se rejeita e porquê |
| Na integração contínua | Os scripts das skills, corridos também aqui |
Se o script de uma skill corre também na integração contínua, a regra deixa de depender de a skill ter disparado. A skill ensina; a integração contínua obriga.
É a arquitectura certa: um agente que não usou a skill ainda assim não consegue integrar código que a viola — e uma pessoa que escreveu à mão também não.
10.2 A skill de revisão
É a menos óbvia e das mais úteis. Em vez de dizer como escrever, diz o que rejeitar:
## Rejeitar sempre
- Rota nova sem entrada no mapa de autenticação
- Hexadecimal fora dos tokens
- `any` em TypeScript sem comentário a justificar
- Migração que renomeia uma coluna (ver `migracao-bd`)
- Teste que só verifica que não rebenta
## Assinalar, sem bloquear
- Componente com mais de 200 linhas
- Função com mais de 4 parâmetros
## Nunca comentar
- Estilo formatável automaticamente — isso é do formatador, não da revisão
A terceira secção é a que torna a skill boa: dizer o que não comentar evita revisões cheias de ruído que ninguém lê.
10.3 Quem escreve as skills
- Quem tem o conhecimento, não quem tem tempo. A skill de migrações escreve-a quem já teve o incidente.
- Uma por incidente. Sempre que algo corre mal por falta de contexto, a pergunta é: que linha de skill teria evitado isto?
- Rever com o mesmo cuidado que código. Uma skill errada aplica-se a tudo o que se escreve depois.
- O agente ajuda a escrevê-las — e a decisão do que é convenção continua a ser humana.
Pegue numa regra que tenha só na skill e acrescente o script correspondente à integração contínua. A regra passa a existir nos dois sítios — ensinada e imposta.
Capítulo 11 Prática
Começar num projeto que já existe
A ordem por que se introduzem skills num produto a meio, para produzir efeito na primeira semana em vez de na terceira.
11.1 A ordem
1 · Zonas proibidas. Vinte minutos com a equipa. Evita o maior estrago e não exige acordo nenhum sobre o futuro.
2 · Orientação do repositório. Onde vive o quê. Serve também a quem entra na equipa.
3 · Antes de entregar. A lista de verificação, com script. É a que fecha o ciclo (cap. 4.4).
4 · Tokens visuais, se houver interface. A que mais reduz correcções de revisão.
5 · Um procedimento — o passo que a equipa mais esquece (cap. 3.1).
6 · Só depois, skills de referência, revisão e as específicas de domínio.
Cinco skills, cerca de 150 linhas, uma tarde. É o mínimo que produz efeito visível — e é deliberadamente pequeno, porque uma pasta com trinta skills escritas de uma vez não é mantida por ninguém.
11.2 O erro de começar pelo ambicioso
A tentação é começar por documentar o sistema inteiro numa skill. Falha por três razões conhecidas: demora semanas a escrever, fica longa de mais para ser seguida (volume I, cap. 10), e desactualiza-se antes de estar terminada.
As cinco de 11.1 escrevem-se numa tarde e cada uma resolve um problema concreto que já aconteceu. Comece pelo que já doeu.
11.3 Como saber que está a resultar
- Menos comentários repetidos em revisão. O indicador mais directo: se o mesmo comentário deixou de aparecer, a skill funcionou.
- Menos idas e voltas por entrega não verificada.
- Quem entra na equipa demora menos a produzir — porque as skills são também o manual.
- E o contra-indicador: se as skills não mudarem em três meses, ou o produto parou ou ninguém as está a manter.
Escreva as cinco de 11.1 para um projeto real, versionadas no repositório, e use-as uma semana. Depois conte os comentários de revisão que deixaram de ser precisos.
Capítulo 12 Ofício · Catálogo
O que fica, e cinco skills para produto
As regras deste domínio, e o catálogo comentado — em ficha padronizada e datada.
12.1 As sete regras
1 · Convenção, não competência
O modelo já sabe programar. O que falta é saber como se programa aqui.
2 · Verificar rende mais que construir
A skill que fecha o ciclo é a de melhor retorno. Gerar barateou; verificar não.
3 · Proibições e scripts
«Nunca X» e um script que falha quando X acontece. Conselhos não se verificam.
4 · Zonas proibidas primeiro
O agente não sabe o que é perigoso. Dizer-lho evita o maior estrago, e custa vinte minutos.
5 · Muitas pequenas, não uma grande
Activam separadamente, delimitam-se melhor, e podem ter donos diferentes.
6 · MCP dá acesso; a skill dá as convenções
Um servidor sem skill produz resultados válidos e culturalmente errados.
7 · A regra vive em dois sítios
Na skill, que ensina; e na integração contínua, que obriga.
E uma oitava
A alteração à skill vai no mesmo pull request da mudança de convenção. Se ficar para depois, fica para nunca.
12.2 Catálogo: cinco skills para produto digital
Formato fixo em toda a série: nome, autor, o que faz, porque importa, a favor, contra, ligação, licença e data de verificação. É a parte que envelhece mais depressa — verifique a ligação e aplique o volume I, cap. 11 antes de instalar.
E a advertência que se repete: nenhuma destas skills substitui as suas. As de terceiros dão andaime e método; o que faz diferença no seu produto é o conhecimento que só existe cá dentro (cap. 1.1).
mcp-builder
Anthropic · repositório oficial
Guia para criar servidores MCP de qualidade, com ferramentas bem desenhadas, em Python (FastMCP) ou Node/TypeScript (SDK do MCP). Cerca de 240 linhas.
Porque importa: Codifica as decisões de desenho que separam um servidor MCP utilizável de um inutilizável — granularidade das ferramentas, descrições que dizem quando usar, erros accionáveis, saída compacta. Nada disso é sintaxe, e é tudo o que decide a qualidade.
- Escrita por quem definiu o protocolo
- Cobre as duas pilhas mais usadas, com o mesmo critério
- Bom exemplo do tipo «procedimento» aplicado a arquitectura
- Source-available, não código aberto — ler a licença antes de uso comercial
- Assume que já se percebe o que é MCP (ver MCP)
- Não substitui a skill de convenções do seu MCP concreto (cap. 5.3)
webapp-testing
Anthropic · repositório oficial
Ferramentas para interagir com aplicações web locais usando Playwright: verificar funcionalidade, depurar comportamento de interface, capturar imagens do ecrã e ler os registos do navegador. Cerca de 96 linhas.
Porque importa: É a skill com melhor retorno deste volume. Fecha o ciclo do agente — deixa de entregar às cegas e passa a verificar o que construiu, o que faz subir muito a taxa de sucesso em tarefas de vários passos.
- Dá ao agente olhos: captura de ecrã e registos do navegador
- Apanha erros de consola que nenhum teste unitário vê
- Curta, focada, e fácil de compor com skills de construção (cap. 7.1)
- Exige Playwright instalado — declarar em
compatibility - Não corre no contentor da API (volume II, cap. 5.3)
- Verifica que funciona, não que está bem desenhado
Combine-a com a instrução de 4.4. A skill dá a capacidade; a instrução obriga a usá-la.
frontend-design
Anthropic · repositório oficial
Orientação para desenho visual distinto e intencional ao construir ou remodelar interfaces: direcção estética, tipografia, e escolhas «que não se leiam como predefinições de modelo». Cerca de 71 linhas.
Porque importa: É a admissão explícita, pela própria Anthropic, de que o resultado por omissão de um agente é a média do que existe — e a tentativa de lhe dar critério. Vale tanto pelo problema que nomeia como pelo conteúdo.
- Ataca um problema real que quase ninguém nomeia
- Curta o suficiente para se ler inteira e adaptar
- Bom ponto de partida para a sua própria skill de direcção visual
- É genérica por natureza — critério estético universal não existe
- Não substitui os seus tokens: use as duas (cap. 2.3)
- O resultado continua a depender muito do pedido
Leia-a e reescreva-a com as decisões concretas do seu produto. É melhor andaime que produto final.
Unity-Technologies/skills
Unity Technologies · oficial
Colecção oficial de skills da Unity para agentes de código: 22 skills cobrindo criação de projeto, interface (UGUI, UIToolkit, IMGUI), física, multijogador, compras integradas, localização, otimização de áudio, web e TextMeshPro, Shader Graph, e a linha de comandos da Unity.
Porque importa: É o primeiro exemplo de um fabricante de motor a publicar skills oficiais — o padrão que outras plataformas vão seguir. Para quem trabalha em Unity, é conhecimento de primeira mão em vez de terceira.
- Oficial: sai de quem faz o motor
- 22 skills focadas por tarefa, em vez de uma grande
- Cobre áreas onde o modelo erra mais — serviços, otimização, ferramentas
- Licença não padrão — verificar antes de uso comercial
- Versionamento face às versões da Unity exige atenção
- Volume grande: instalar as 22 tem custo de contexto (volume II, cap. 8.4)
Tratado em detalhe no volume VI — Jogos e 3D.
rampstackco/claude-skills
rampstackco · comunidade
Colecção agnóstica de pilha cobrindo o ciclo de vida de um site: marca, desenho, conteúdo, SEO, desenvolvimento e operação. Dezenas de skills, de auditoria de acessibilidade a revisão de código web, estratégia de conteúdo e direcção de arte.
Porque importa: É o exemplo mais completo de uma colecção pensada como sistema e não como skills soltas — e mostra o padrão do capítulo 7: muitas skills focadas, delimitadas entre si, em vez de uma grande.
- Licença MIT, permissiva e clara
- Cobertura ampla do ciclo real de um projeto web
- Boa fonte para estudar delimitação entre skills vizinhas
- Curadoria da comunidade: qualidade desigual entre entradas — aplique o volume I, cap. 11
- Muitas skills implicam o problema de orçamento de listagem
- Convenções genéricas: valem como andaime, não como as suas
Não instale a colecção inteira. Escolha as três ou quatro do seu caso e adapte-as.
12.3 Leituras a par
- Skills I — Fundamentos e Skills II — As ferramentas.
- MCP — o outro lado do capítulo 5.
- Aceleração de Código com IA e Vibecoding.
- Testing & Automação — o capítulo 4, a sério.
- Código Legado e Refatoração — as zonas proibidas do capítulo 6.2.
- API Design, Acessibilidade & WCAG, Cor e UX Writing — o critério que as skills executam.
Pegue no último incidente do seu produto e responda: que linha de skill o teria evitado? Escreva-a. Repita para os três incidentes anteriores. É a forma mais fiável de construir uma pasta de skills que vale alguma coisa.